O Projeto mais íntimo e profundo que já participei.

Em julho, participei de um projeto da  incrível Amanda Areias chamado “Goya“. O projeto em si tem como objetivo reunir pessoas desconhecidas para contar histórias que tenham vivenciado, histórias reais, contadas por pessoas reais e ouvidas por outras dezenas de pessoas reais pois ela acredita que a melhor forma de conhecer as pessoas, é ouvindo suas histórias. E o projeto foi tão incrível e surpreendente que eu preciso comentá-lo.

As vagas eram limitadas, limite de 30 pessoas. Fui convidada a ir por duas amigas da faculdade que acreditaram ser uma experiência incrível para mim, e que mandaram meus dados para a Amanda na mesma hora já para garantir minha vaga. Pois bem, minha inscrição estava feita e quando o dia do projeto chegou eu não podia estar mais acanhada. Eram 30 pessoas desconhecidas sentadas em roda em uma sala muito aconchegante de um prédio antigo em cima de uma cafeteria no centro de São Paulo e o clima de timidez mútua falava muito alto, sentei ao lado das minhas duas amigas por questão de zona de conforto, porém, pouco tempo depois, iniciamos uma dinâmica para nos socializarmos com as outras pessoas e a Amanda pediu para que todos trocassem de lugar.

Demos início então a uma apresentação rápida respondendo a perguntas como Nome, idade, uma coisa que gostamos e outra da qual não gostamos. E aqui deixo minhas respostas para registro: Rejane, 20 anos, gosto de escrever, não gosto de injustiças.

Entre todas as apresentações, duas me chamaram atenção, a moça que estava justamente do meu lado direito disse que “não gosta de café”. Pois é, meu sobrenome é Caffé. Sim, isso mesmo, Caffé. Com dois Fs e tudo mais. Minhas amigas e eu logo trocamos olhares pela situação ter sido no mínimo engraçada pela coincidência. A outra apresentação que me chamou muita atenção, foi de uma moça que disse de um jeito muito agitado quase como se estivesse com raiva de algo, que não gostava que a dissessem para “ficar calma”. Achei curioso aquilo, não por ela não gostar, mas porque ela parecia realmente estar nervosa, parecia alguém que você facilmente diria: amiga, fique calma. E eu automaticamente imaginei ela como alguém que eu não suportaria conviver pois a achei muito estressada e além disso, ela parecia aquelas patricinhas de filme americano. “Um nojo” como diria a atual juventude.

Bom, as histórias começaram, teve história que me fez rir, chorar, ficar sem ar, teve gente que foi só para ouvir…

Então, chegou a vez daquela moça que falou que não gostava que dissessem para ela ficar calma. Quando ela começou a contar, eu mordi a minha língua na hora e mordi feio. Ela passou por muita coisa, depressão, tentativa de suicídio, um namorado lunático, problemas na família… enfim, não estou aqui para contar a sua história, mas naquele momento eu percebi que ela não era nada daquilo que eu havia julgado pela primeira impressão. Nada. Daquilo.
Aliás, muito pelo contrário, depois de ter passado por tudo o que passou ela hoje está vivendo uma outra vida, inclusive comecei a segui-la no Instagram e semana passada ela estava viajando pela Europa realmente vivendo uma vida que um dia ela havia tentado dar um fim. 

Ok, Rejane. Mas o que você quer dizer para nós com essas 524 palavras?

Quero dizer que todo mundo tem uma história para contar. Nós somos seres humanos e nos moldamos com base nas nossas experiências de vida, temos nossos demônios particulares e não podemos julgar ninguém pela primeira impressão, a primeira impressão não te apresenta a história de alguém, nem as dores ou alegrias que ela viveu, a sua essência só aparece, quando muito, em um diálogo bem aberto e honesto, com o coração na mão e o peito exposto.

Então, se vocês sentem “ranço” por alguém que não conhecem direito, por favor, deixem isso de lado. O que eu vivi naquela sala, naquele dia, foi intenso, foi como um baque na minha cabeça dizendo: “Agora você vê, Rejane? O que está por fora, não é a verdade ”
A frase é clichê, mas não devemos julgar um livro pela capa. Jamais. Eu poderia escrever aqui o dia todo sobre centenas de experiências que eu tive relacionadas ao julgamento de pessoas que eu mal conhecia, ou sobre todas as outras reflexões que aquele projeto me levou a ter, mas acredito que eu já tenha passado a minha mensagem.

– Rejane Leopoldino

 

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