Sobre o que essa vida em meio a tantas letras se tornou.

Eu sei que você não gosta que eu escreva sobre isso, e eu realmente sinto muito que minhas letras façam você se sentir pesado. Mas eu vou continuar escrevendo.

Não se engane, esse não é um ato de rebeldia. Sabe que nunca fui de me rebelar, sempre fui contida e recatada. Mas eu ocultava sem perceber parte de mim ao seu lado. E isso só fui me dar conta depois que nós dois nos movemos em direções opostas. Eu percebi que havia absorvido e me tornado 70% do que você me criou para ser. Não me leve a mal, eu não odeio isso, você me criou com as referências que acreditava serem as melhores para mim. E acredite, eu absorvi bem todas as melhores referências que me deu e sou sim, grata. Mesmo que você duvide da minha gratidão. Mas há uma pequena parte dos (seus) 70% em mim que eu gostaria de mudar. E a cada dia o faço. Os 30% meus que você não tocou, hoje são 35%, e a cada dia volto a ser mais minha. Mas sempre haverá seu reflexo em mim, com todos os melhores ensinamentos que você fez questão de compartilhar.

Então, de verdade, apenas aceite que não é um ato de rebeldia. Eu tenho as minhas reflexões e elas sempre divergiram das suas. Isso não é novidade. Você sempre soube. A diferença é que agora eu escrevo sobre o que aconteceu, o que naquela época eu tinha medo de fazer. Não queria decepcioná-lo com as minhas verdades e tinha medo que a forma como eu me sentia (sinto) pudesse te magoar e fazer com que você deixasse de me ver como uma menininha. Mas por falta de diálogo, eu não sei se você temia (teme) que a sua verdade fosse ter (tenha) o mesmo impacto em mim.

De qualquer forma, ainda perco um pouco do ar quando digito cada palavra desse texto, ou qualquer coisa que eu escreva para/sobre você. Como se o ar se tornasse muito mais pesado. Uma sensação semelhante a como me sentia quando estávamos juntos. Eu sentia que devia me ocultar, me retrair, estava acostumada a olhar para baixo e repelir o impulso de suspirar pesado pois isso com certeza te incomodaria e eu sempre buscava tanto a sua aprovação… Tanto…

É quase irônico que eu tenha escolhido essa vida de escritora para mim, logo uma que me daria tanta liberdade para escrever sobre você e parar de me ocultar e ocultar o que aconteceu.

Eu repito. Esse não é um ato de rebeldia. E eu repito que, embora tudo aquilo que aconteceu tenha nos ferido tanto, sou grata, por cada momento vivido e não me arrependo nem dos piores. Achei que deveria saber.

– Rejane Leopoldino

 

 

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