Joaquim

Joaquim era filho da minha vizinha, criança de apenas 5 anos de idade. Ele costumava brincar na calçada da sua casa com os carrinhos de brinquedo enquanto a babá/empregada se distraía estendendo as roupas no varal.  Eu que sempre fiz da minha casa um escritório o via brincando da janela do meu quarto. Neste dia enquanto a babá estendia as roupas, um carro preto parou em frente à calçada onde Joaquim brincava e pela janela do meu quarto eu vi que se tratava de um homem grisalho usando óculos escuros, ele estendeu uma mão cheia de doces para Joaquim que estava sentado com seus carrinhos. Joaquim levantou, abandonou seus brinquedos e foi em direção ao homem. Lembro de ter conseguido ler os lábios do homem no carro, ele disse algo como “há mais doces aqui dentro”, Joaquim olhou com interesse para o banco de trás. “Pode entrar e pegar mais doces se quiser“. Joaquim entrou e o carro deu uma partida violenta queimando pneus. Tudo foi muito rápido, não tive tempo de reagir. De Joaquim sobrou apenas os carrinhos na calçada e a sensação de que sua infância havia sido violada.

– Rejane Leopoldino

2 comentários em “Joaquim”

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