Bem-vindo ao meu pesadelo

É um castelo de madeira marrom na subida da antiga rua onde eu morava quando criança, não tem portas, apenas janelas que ficam muito altas. Eu paro em frente ao castelo e em uma das janelas um homem que julgo ser meu pai me observa. Então o castelo começa a pegar fogo, um fogo que se alastra rapidamente por toda a superfície de madeira, pessoas descem a rua desesperadas. Eu a assisto queimar, meu pai some da janela. Não emito um único som nem movimento, não pisco, expressão facial neutra, o incêndio não me causa nenhum incômodo, não possuo empatia pelo homem que está lá dentro. O irmão mais velho chega, põe a mão em meu ombro e com a mesma neutralidade no rosto que eu, me ajuda a dar às costas e me leva para longe do castelo em chamas. Enquanto me afasto, não me digno a olhar para trás.

O mesmo sonho desde os seis anos.

– Rejane Leopoldino

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