Covardia – Sim, mana, ele é ridículo.

Eu esperava o elevador quando ouvi saindo de dentro dele a voz de um casal discutindo –Você está com ciúme por nada! Para com isso! – a moça dizia para ele já com a voz desgastada. O elevador chegou no andar, eles não sabiam que eu estava lá. -Quer que eu pare? Beleza então, eu vou parar. – disse com uma voz agressiva. Ele empurrou a porta do elevador com muita força e eu que estava do outro lado a segurei rapidamente por reflexo antes que me atingisse e fiquei a encará-lo como quem pergunta da onde vinha tanta agressividade com uma mulher, eu o vi apertando o braço da companheira como se fosse arrastá-la. Ele fez uma cara de espanto quando me viu. Eu não dava espaço para ele sair do elevador, segurava a porta enquanto meu corpo o impedia de passar. Minha expressão exigia uma explicação a respeito da atitude dele, com certeza dentro daquele transporte férreo ele tinha a ousadia, a coragem de ser altamente repugnante com a mulher que ele achava que tinha como propriedade, mas ao ser confrontado do lado de fora pela minha presença ele ficou miúdo, soltou o braço da moça, encolheu os ombros, a ousadia dele durou até a página dois quando viu que sua companheira não estava sozinha. Ele que antes gritava com ela no elevador, abaixou o tom de voz, abaixou a cabeça olhando para o chão e me pediu “com licença” quase aos sussurros para eu deixá-lo passar. Não me movi. Continuei a encara-lo por mais alguns segundos, primeiro porque ali eu iria ensiná-lo que ele não é o dono de ninguém, segundo que para passar por mim ele teria que abaixar MUITO a bola e ser trinta vezes mais educado do que estava sendo com sua companheira, e terceiro porquê fiquei parada na sua frente sem dizer uma palavra tempo o suficiente para mostrar a ele quem tem de verdade o controle daquela situação. Ele passaria se eu quisesse, não quando ele tivesse vontade, com a minha atitude de não deixá-lo passar eu quis tirar dele (sem dizer uma palavra sequer) a ilusão de controle que ele achava que tinha sobre a companheira, tirei dele a falsa sensação de poder. Quando cansei-me de ensinar bons modos para aquele ser humano ele já parecia um pênis que perdera a ereção, morto, pequeno e sem masculinidade. Dei um passo para trás quando ele entendeu o quão miserável era aos meus olhos e o deixei passar. A moça demorou um pouco mais para sair do elevador. –Desculpa por isso.- Ela disse -Ele é ridículo.– eu apenas concordei.


O nome disso é covardia. Vejam que foi só o meu vizinho ser encurralado por outra mulher (eu) que a masculinidade dele ficou do tamanho de um grão de bico. Talvez menor. Falo a verdade, a melhor expressão que o define naquele momento é a de um pênis sem ereção, pênis sem ereção e encolhido.

Juntem-se, manas. Coragem, não tenham medo, a violência doméstica é pura covardia.

– Rejane Leopoldino

 

 

2 comentários em “Covardia – Sim, mana, ele é ridículo.”

  1. Thank you for sharing your thoughts about the coward.. he had courage as long as he thought he were in control, a typical bully… you were very courageous to stand up to him!.. 🙂

    “One’s dignity may be assaulted, vandalized and cruelly mocked, but it can never be taken away unless it is surrendered.” Michael J. Fox

    Curtido por 1 pessoa

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