Brasil e mulheres

Minha avó Arestides teve oito filhos durante os anos de 1930 e lá vai bolinha:
Augusto
Carlos
Maria
Lourdes
Amélia
Adenildo
Miriam
Eliane

Minha mãe Miriam teve dois filhos depois de 1970:
Wagner
Rejane

Wagner nasceu em 1976 e embora tenha sido casado por mais de vinte anos, não teve filhos, mas criou a irmã mais nova.

Rejane nasceu em 1998 e não pensa em ter filhos, ao menos por enquanto, e se tiver que seja apenas um, mas também pode ser um cachorro ou um gato.

Embora não seja um fenômeno exclusivo do Brasil, aqui o tamanho das famílias sofreu uma quedra brusca nas últimas cinco décadas. Famílias ricas, ou pobres que vivem na cidade ou no campo, a maioria delas parecem ter atualmente o consenso de que um ou dois filhos é o suficiente para a constituição de uma família. Cynthia Gorney, repórter da National Geographic que escreveu uma matéria sobre a queda da taxa de natalidade no Brasil, cita alguns fatores que podem ter infuênciado esta queda:
– Mulheres passaram a ter um papel mais expressivo na força de trabalho do país;
– Melhora no nível educacional dos jovens;
– Em 2011, quase 85% da população vivia em áreas urbanas, onde uma família menor é economicamente mais vantajosa;
– Acesso à energia elétrica e tecnologia. Em 1960 o acesso as telenovelas realmente produziram um efeito sobre a taxa de natalidade. No fim das contas, a frase que meu irmão mais velho dizia ouvir dos nossos avós maternos: “nós faziamos filhos porque no meu tempo não tinha televisão” parece ser verdadeira. Nas telenovelas, nove em cada dez personagens tem apenas um filho ou nenhum, o que pode ter influenciado as brasileiras a desejarem uma família menor.
– Também em 1960 as pílulas anticoncepcionais chegaram ao mercado.

Fatores todos estes que influenciaram as mulheres a se prepararem para um planejamento familiar antes de se construir uma família. Durante 1970 e 1980 quando o Brasil voltou a ter grande influência feminista, (depois do voto ter sido conquistado em 1932 durante do governo de Getúlio Vargas, embora somente em 1946 a obrigatoriedade tenha sido extendida para as mulheres) quando termos como o “machismo” passaram a ser frequentes no vocabulário, as mulheres já se encontravam mais cientes de como a violência familiar e doméstica não deveria ser uma realidade natural. Passaram então a assumir o controle da sua vida amorosa com mais poder de decisões na família do que antes.

O sonho de uma mulher no século XXI já não está mais ligado à constituição de uma família, essas mulheres almejam em primeiro lugar uma boa educação, em segundo lugar, idependência financeira e estabilidade profissional e em terceiro lugar uma relação amorosa e quem sabe, casamento. Não entendam mal, criar filhos não sumiu dos desejos modernos, contudo ainda há muitas dificuldades enfrentadas pelas mulheres que estão ativas no mercado de trabalho e desejam um filho, como por exemplo o fato de metade das mulheres grávidas serem demitidas na volta da licença maternidade.

Questões aquisitivas são determinantes para a decisão de se ter ou não filhos, e quantos filhos ter, afinal, quanto custa ter um filho? E não estou a falar apenas do dinheiro.

– Rejane Leopoldino

Referência: Gorney, Cynthia. “Elas têm a força.” National Geographic Brazil, 2011, p. 40+. National Geographic Virtual Libraryhttp://tinyurl.galegroup.com/tinyurl/6oTb39. Accessed 19 July 2019.

 

 

 

 

 

 

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