Arqueofeminismo de Maxime Rovere

 “Tudo o que os homens escreveram sobre as mulheres deve ser suspeito, pois eles são, a um tempo, juiz e parte”.
François Poullain de la Barre (1647-1725)

Há um livro que indico imenso a leitura, ele chama-se “Arqueofeminismo” organizado por Maxime Rovere, livro este que me inspirou a escrever esse texto e com certeza, a escrever outros tantos e que reúne em um volume textos escritos por duas mulheres fabulosas, Marie de Gournay e Olympe de Gouges e que estão entre as maiores intelectuais dos séculos XVII e XVIII, assim como três textos escritos por homens, François Poullain de la Barre, Choderlos de Laclos e Nicolas de Condorcet, que defenderam a presença das mulheres nos campos políticos, intelectuais e da vida pública. Leiam, de verdade.


A história das mulheres na filosofia foi acobertada. Da antiguidade ao início do século XX a sociedade patriarcal européia reservou o estudo das letras e da filosofia aos homens. Esse monopólio da educação esforçou-se muito em manter as mulheres longe dos campos filosóficos, da literatura e até mesmo da política.
O  monopólio patriarcal não obteve sucesso. Ao longo da história, é possível encontrar vestígios de mulheres que contribuíram imenso para os marcos de sua época. São algumas delas: na Grécia, Temista e Hipátia, famosa neoplatônica; no mundo cristão há também Hildegarda de Bingen (1098 – 1179) e Cristina de Pisano (1364 – 1430); no mundo islâmico, Fatima bint al- Muthanna, (século XII) entre tantas outras mulheres, e se essas mulheres (que são exceções na história por terem conseguido se educar), não conseguiram dar uma voz maior aos seus pensamentos, é em parte porque na história da filosofia, a Grande Narrativa, entoa aos nomes de Sócrates, Platão, Descartes, Tomás de Aquino, Kant… como diria Maxime Rovere, ao criticar o patriarcado no campo da filosofia, “continua a ser uma história de homens, feita por homens e para sua própria glória”.

É tentar tapar o sol com a peneira achar que a história da filosofia se desenvolveu durante alguns milênios sem a presença das mulheres. Para ir contra a narrativa que esconde as mulheres que contribuíram no campo da filosofia, é preciso um ardo trabalho arqueológico para que seja possível reequilibrar a maneira como contamos a história da filosofia que recobriu as importantes contribuições trazidas ao pensamento pelas mulheres e pelas questões levantadas por elas.

– Rejane Leopoldino

 

9 comentários em “Arqueofeminismo de Maxime Rovere”

  1. Ai, Rejane… É difícil ser mulher, mas é mais difícil ver mulheres contra mulheres. Não falo só daquelas que passam a sua triste vida “deformando” as mulheres que lutam por elas tb. Incluo tb, aquelas mulheres q nos envergonham e que desqualificam toda a luta para a mulher ser reconhecida como um ser humano , e não como um objeto de decoração q tem serventia extra, criando artimanhas, simulações de situações.
    É mesmo dura a vida de ser mulher.

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  2. O temo “arqueologia” não poderia ser mais adequado. Como antropólogo, acordar e ler isso como a primeira coisa do dia me deixa com o coração aquecido. Por favor, vai postando recomendações à medida que os resultados forem aparecendo?
    Quando eu pesquisava boemia para meu TCC, o livro “Bohemians: Glamourous Outcasts” foi minha maior fonte de inspiração sobre as mulheres no mundo da literatura francesa do século XIX, talvez seja uma boa fonte para você.
    Nos tempos vagos, sinto que posso me permitir procurar por mais mulheres intelectuais pela história e, se você quiser nos guiar, seria muito legal.
    Abraços

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    1. Olá Marcell! muito obrigada, e com toda certeza irei postando recomendações, são tempos em que precisamos nos informar para não cair na ignorância obtusa. Tanto pode e como deve procurar por essas mulheres, acredito que você gostará muito do livro “Arqueofeminismo”.
      Abraços

      Curtido por 1 pessoa

      1. Desculpe pela demora em visualizar sua resposta. Ficarei bem atento às suas postagens e buscarei adquirir esse livro logo mais! Um enorme abraço e espero que nossos interesses científicos sempre nos tragam aos parágrafos uns dos outros. Assim, se resiste a esses tempos sombrios: palavras que criam luz.

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