Participação feminina no mercado de trabalho após a maternidade

Metade das mulheres grávidas são demitidas na volta da licença maternidade. Esse é apenas um dos vários resultados obtidos na pesquisa feita por Cecília Machado e Valdemar Pinho Neto, pesquisadores da FGV – Fundação Getúlio Vargas sobre as Consequências do mercado de trabalho na licença maternidade no cenário brasileiro.

Honestamente, eu não estou surpresa com o resultado principal da pesquisa, ela apenas comprovou o que nós mulheres já sabíamos: se quisermos ter filhos, precisaremos lidar com a incerteza de continuar ou não tendo nossos postos de trabalho para sustentar financeiramente a criança que colocamos no mundo – e tenham certeza que não colocamos sozinhas.

Um breve resumo da pesquisa:

Após 24 meses, quase metade das mulheres que tiram licença-maternidade está fora do mercado de trabalho, este padrão se mantém até 47 meses após a licença. Fora isso, a maioria das saídas do mercado de trabalho se dá sem justa causa e por iniciativa do empregador.

O grau de instrução e educação da mãe também influencia na porcentagem da queda de empregabilidade após a licença maternidade: trabalhadoras com maior escolaridade apresentam queda de emprego de 35% 12 meses após o início da licença, enquanto a queda é de 51% para as mulheres com nível educacional mais baixo. 
Basicamente o raciocínio por trás da diferença entre essas duas porcentagens é de que é mais difícil (ainda que possível) o empregador substituir uma funcionária que em razão de seu nível educacional superior está em cargos mais elevados e de tomada de decisões, do que substituir uma funcionária que ocupa uma posição mais baixa dentro da empresa devido sua pouca instrução, pois é possível encontrar com mais facilidade pessoas que desempenhem as mesmas funções que ela e que possuam o mesmo baixo nível educacional, tornando-a substituível dentro da empresa.

O estudo indica que, no Brasil, a licença-maternidade de 120 dias não é capaz de reter as mães no mercado de trabalho, mostrando que outras políticas (como expansão de creches e pré-escola) podem ser mais eficazes para atingir tal objetivo, especialmente para proteger as mulheres com menor nível educacional.

Pela lei, as trabalhadoras com registro em carteira têm estabilidade no emprego até cinco meses após o parto. Depois desse período, a estabilidade acaba e as mães podem ser demitidas a qualquer momento.

“Em muitos casos, as mulheres não retornam às suas atividades porque não têm com quem deixar os filhos pequenos”

diz Cecilia Machado, professora da FGV

Para o homem, ter um filho não reduz sua participação no mercado de trabalho. Na mesma faixa etária, 92% dos homens com filhos de até 1 ano continuavam trabalhando. Para os homens, a licença paternidade varia de cinco a vinte dias.

– Rejane Leopoldino

É impressionante como uma paixão pode começar e acabar em um período de 60 dias ou menos.

Ainda falando sobre as desilusões amorosas (e peço escusas ao leitor que já está ficando de saco cheio deste tema, mas a escritora desse blog continua passando por diversas ressignificações do que chamamos de “paixão”).

Não que seja esta a fórmula mágica para se gerar o floreio de uma paixão, nem que seja assim tão simples, nem que o mesmo vá valer para todos, mas a combinação ainda que sutil de boa aparência física com um intelecto estimulante, uma dosagem de bom humor e respeitável bom senso social e civil podem sim ser considerados os ingredientes (e requisitos) básicos para nos interessarmos por alguém, mas não preciso destrinchar o processo de se apaixonar, ou o que nos leva a isso. Meu questionamento é sobre como se livrar dos resquícios desse acontecimento quando a paixão não foi capaz de evoluir para nada além, quando ela acaba (ou quase).

Sinto muito, sua “paixonite” não foi para frente, e o que você faz? Procura pelas migalhas desse relacionamento não frutífero e sentimentos não correspondidos nas expectativas que você nutriu durante o tempo que passou com aquela pessoa? Você fantasia inúmeras possibilidades de um futuro aprazível ao lado dela? permite iludir a si mesmo dentro de uma bolha onde a sua imaginação fértil tem  uma voz mais ativa que o seu bom senso e respeito pela própria sanidade mental? Lê e relê as antigas conversas e mensagens trocadas? Ou ainda pior, stalkeia as redes sociais dessa pessoa em busca de migalhas da existência dela? Sim? Então meus pêsames, você é um ser humano como qualquer outro.

E antes que esse discurso pareça desmotivacional (juro que não é), vou deixar aqui registrado um segredo óbvio demais, mas que pouco se enxerga: sabe essa paixonite que não deu certo? esse sentimento triste de rejeição que também podemos associar à sobriedade? então, esse sentimento vai passar. Inclusive já está passando nesse exato momento, como um nuvem empurrada por uma brisa fraca, demora, mas ela sai da frente do sol.

Não fiquem tão pilhados e apressados em se livrar logo dessa sensação de paixão não correspondida, isso só gera ansiedade desnecessária e te faz criar péssimos hábitos como o de ficar stalkeando a vida alheia do seu ex companheiro através das redes sociais, não mente, você faz/fez isso que eu sei, inclusive, se Zygmunt Bauman soubesse disso, ele sentaria numa poltrona enquanto segura o seu livro “Amor Líquido”, olharia para você e balançaria negativamente a cabeça em total estado de negação e descontentamento com o seu comportamento.

Abrirei um parênteses enorme:

(O que eu mais vejo no meu círculo de amizades são pessoas que não conseguiram lidar bem com a rejeição e se tornaram não mais seguidores nas redes sociais, mas perseguidores das pessoas por quem se apaixonaram. Isso não é saudável. Todo mundo stalkeia um pouquinho a título de curiosidade [menos um ou outro ser humano que se livrou das redes sociais], o problema é quando você torna isso a única atividade que realiza o dia todo, isso vira uma obsessão, você fica obcecado e só prejudica suas chances de superar a rejeição).

Retomando o assunto: no título eu digo que “uma paixão pode começar e acabar num período de 60 dias ou menos”, deixarei registrado aqui que isso não é regra, às vezes dura muito mais, utilizo os “60 dias” apenas por empirismo, foi o quanto durou para mim.

Em suma, para superar essa paixão não correspondida, sugiro o egoísmo ponderado: pense na sua saúde mental, beba muita água, arruma a postura pois suas costas estão curvadas, faça atividade física e cure seu coração partido com endorfina.

– Rejane Leopoldino

 

 

 

 

 

É só ego ferido: senta aqui e toma um café, logo passa.

Rejane Leopoldino (6)

Após uma desilusão amorosa todos nós sentimos isso, apenas não sabermos como verbalizar. É egocêntrico desejar que a vida amorosa de outra pessoa seja um fracasso só porque fere o nosso ego saber que não somos insubstituíveis para alguém e que amanhã essa pessoa pode aparecer de mãos dadas com outro(a).

Não seja esse Chernobil na vida de alguém. Supera, vai se hidratar, fazer exercício, ler um livro… não fica amaldiçoando a vida amorosa alheia só porquê você não está contente com o término do relacionamento.

– Rejane Leopoldino

 

É o começo de uma nova etapa para mim – e muitas coisas estão por vir

Rejane Leopoldino


Eu não escrevia poesia a muitos anos, o motivo vocês já sabem.
Acontecimentos extraordinários ocorreram nos últimos meses, principalmente no meu campo emocional e afetivo e em determinado momento, a poesia me pareceu ser uma porta de saída para emoções e sentimentos que me inundavam mas não conseguia expressar. Quando dei por mim, já estava escrevendo muitos poemas com uma facilidade que eu não tinha a anos. E me parece adequado compartilhá-los aqui. Primeiro porque acredito que essa maré de não me identificar ou me reconhecer como uma escritora durou tempo demais e apenas prejudicou minha auto estima com pensamentos de que eu talvez não fosse boa o suficiente para exercer esse ofício, e segundo, porque já passou da hora de superar meus traumas do passado em relação a poesia.

Há muitas novidades por vir e o blogue vai ser a porta de entrada dessas novidades. Então fiquem atentos a algumas mudanças (e novidades) que vão chacoalhar positivamente as estruturas deste blogue e as minhas.

– Rejane Leopoldino

 

 

 

 

 

Poemas experimentais de uma poetisa há muito adormecida

Se a intenção era não desenvolvermos uma relação vazia, falhamos.
porque a falta que a sua presença faz
É um vazio


Faria melhor pro meu ego
(e com certeza doeria bem menos)
se eu tivesse sua presença em demasia
só para poder me afogar em você
de novo (e bem mais do que da primeira vez)

Desejos do meu eterno egocentrismo
uma parte minha que não se importa em sair machucada
contanto que possa provar de você um pouco mais


Não consigo dizer o quanto eu queria ficar
e eu teria ficado
o que tira meu sono é saber que
você merece um amor muito maior do que eu posso oferecer
o que tira meu sono é saber que
ao fechar meus olhos, você será o protagonista
como foi nas últimas 5 noites


Eu menti
na verdade, o que não sai da minha memória
são suas mãos acariciando minhas costas
no momento em que eu não sabia onde você começava
e eu terminava.

– Rejane Leopoldino

Ainda sobre Marie de Gounay e o livro Arqueofeminismo, de Maxime Rovere.

Vejam como a mente de Marie de Gounay (e eu não me canso de falar desta mulher) escritora e filósofa francesa era perspicaz:

Ela escreveu uma carta à rainha regente Ana de Áustria, filha de Felipe III e Margarida de Áustria, esposa de Luís XIII (depois da morte do rei, Ana assumiu o trono francês como regente no período de 1643 a 1651, até quando Luis XIV atinge a maioridade e torna-se rei em sucessão à sua mãe), a incentivando a apoiar a igualdade entre homens e mulheres e servir como exemplo para seu sexo em uma época dominada pelo patriarcado onde as mulheres não tinham suas vozes ouvidas a menos que estivessem sendo apoiadas por outros homens. Uma carta à rainha, ela não poderia ser chamada de menos do que ousada.

Não satisfeita, Marie de Gounay também escreveu o livro “Igualdade entre homens e mulheres” que serve como um tapa na cara de todos aqueles que acreditam na supremacia masculina. Ela não mediu esforços para embasar o seu pensamento igualitário, citando como fontes infinitas mentes antigas de nome ilustre, tais quais Platão e Sócrates que atribuem as mulheres os mesmos direitos, faculdades e funções ou ainda Plutarco, que em seu segundo livro de sua obra “Moralia” defende que a virtude do homem e da mulher são iguais. E ela não para por ai, Erasmo, teólogo e humanista, Poliziano, humanista, dramaturgo e poeta e Agrippa, pensador alemão famoso por argumentar em seu escrito “sobre a nobreza e pré excelência do sexo feminino”, que as mulheres poderiam ser consideradas superiores ao sexo masculino, ela citou todos estes nomes e vários outros, todos se opondo a aqueles que desprezam o sexo feminino, e quando já havia falado sobre as mulheres no campo intelectual, passou a falar da participação feminina na nobreza, criticando a Lei Sálica, que foi um código elaborado no início do século IV e que ainda estava em vigência na alta Idade Média. No século XIV, um artigo desse código foi separado do seu contexto original e empregado por juristas da dinastia real capetiana na França, para justificar a proibição das mulheres a ascenderem ao trono francês.

Após falar sobre a desigualdade sexual na nobreza, e nos campos intelectuais, Marie de Gounay vai de encontro ao debate com a igreja, refutando a ideia que se faz da Escritura de que o homem é dono da mulher, pois estes dois sexos vieram ao mundo como um só e suas únicas diferenças dizem respeito aos órgãos sexuais. Ou quando ela diz que: “Jesus Cristo é chamado filho do homem, embora ele só o seja da mulher” e ainda sobre a religião, ela diz: “Se os homens se vangloriam que Jesus Cristo tenha nascido com seu sexo, respondemos que tinha de ser assim, por um necessário decoro. Se ele tivesse sido do sexo feminino, não poderia ter se misturado às multidões a qualquer hora do dia e da noite a fim de socorrer, converter e salvar o gênero humano […] E ainda que alguém seja tão obtuso a ponto de imaginar que Deus é masculino ou feminino, embora seu nome pareça ter uma ressonância com o masculino, não há a necessidade de escolha de um sexo em detrimento de outro para honrar a encarnação de seu filho, esta pessoa mostra claramente que é tão mal filósofo, como teólogo”.

Deixo expressa aqui minha devoção a esta mulher.

– Rejane Leopoldino

 

 

É por esse motivo que não escrevo mais poemas desde 2016.

Um amigo me perguntou após ler o meu blogue de cabo a rabo, o por que de desde o fim de 2016 eu não ter mais escrito poemas. Bom, aqui escrevo a minha perturbadora resposta mascarada de desabafo.


Pode ser uma novidade para vocês, mas o blogue existe desde dezembro de 2014. vejamos em 2014 eu tinha… 16 anos, estou com 21 agora, é faz tempo. Eu comecei escrevendo poesias, a única categoria do site era: “poemas”, não haviam outras categorias. Eu estaria mentindo se dissesse que as poesias eram boas, mas elas também não eram ruins, eram poesias adolescentes dedicadas aos meus namoradinhos. Vá… eu tinha 16 anos.

Eu continuei por mais dois anos escrevendo minhas poesias no blogue, elas foram melhorando e eu estava orgulhosa do meu progresso, já não eram sobre os namoradinhos, eram muito mais maduras. Até que em 2016, poucos dias depois de eu completar 18 anos, conheci uma jovem moça, que felizmente não me lembro do nome, metida a intelectual, com um ar de superioridade e a falsa maturidade dos seus 22 anos. A conheci dentro de um shopping na livraria da Saraiva onde eu estava sentada em uma das mesas escrevendo alguns versos, esta moça procurava um lugar para sentar pois todas as outras mesas estavam cheias, ela perguntou se poderia se sentar comigo, eu disse que sim e começamos a conversar, ela viu que eu estava escrevendo poesias, perguntou se eu gostaria de ler as poesias dela, eu disse que sim e ela tirou um caderno da sua bolsa e as mostrou para mim. Os poemas de fato eram ótimos, muito bem escritos, lembro de me sentir o patinho feio dos poetas quando ela pediu que eu mostrasse a ela os meus versos.

Quando ela leu o meu caderninho de poemas, não fez comentários sobre o conteúdo do que eu havia escrito, apenas arqueou uma sobrancelha e perguntou quais os tipos de “formas poéticas” que eu mais gostava de utilizar e eu perguntei com muita ingenuidade: “como assim?”. Ela riu da minha cara. Achou ridículo (e ela realmente utilizou esta palavra) eu não saber o que era um poema Dístico, Décima, ou que Sonetos são compostos por exatamente 14 versos. Eu me senti realmente humilhada com a risada dela. Eu só tinha 18 anos, era uma garota sensível que não estava preparada para sofrer deboche e ridicularização de uma pessoa desconhecida e metida a intelectual. Ela disse que os meus poemas seriam melhores se eu escrevesse como ela e começou a reescrever sem nenhum pedido meu ou autorização os meus poemas em uma folha avulsa de seu caderno, corrigindo a forma poética se esnobando para mim, eu me senti humilhada pela crítica negativa aos meus poemas juvenis, tão humilhada que eu não tinha forças na voz para argumentar, só queria sair dali e ir chorar em uma cabine do banheiro feminino.  Ficar sentada naquela mesa enquanto eu a assistia debochar dos meus poemas e “corrigi-los” sem nenhuma autorização, foi uma tortura. Primeiro porque eu permaneci em silêncio, chocada demais com o atrevimento da atitude dela, segundo porque o meu silêncio deu a certeza que ela precisava de que podia me esnobar o quanto quisesse que eu não seria capaz de contra atacar.

Depois de alguns minutos sob aquela tortura, eu tive um lampejo de amor próprio, peguei minhas coisas, me levantei da mesa sem olhar para a cara daquela moça e fui chorar no banheiro. Pelo menos eu saí da mesa com classe e elegância.

Eu estava trancada na cabine do banheiro chorando horrores e com muita raiva, joguei o caderno onde escrevia meus poemas na lixeira e em cima do caderno rasguei vários pedaços de papel higiênico até acabar com o rolo de papel da cabine e lotar a lixeira. Foi uma cena deprimente.

Passei um ano inteiro sem ler poemas, voltei a ler no início de 2018 mas nunca mais consegui escrever nem um versinho que seja. E olha que já tentei diversas vezes. Até hoje me sinto acuada e constrangida em sequer tentar escrever um poema, me parece uma escrita inalcançável, me sinto indigna, envergonhada, ridicularizada como se eles fossem reservados apenas aos seres humanos que sabem aos 18 anos o que é um poema “dístico”, ah, por favor… Não demorou muito para eu sentir vergonha de todos os poemas que eu já havia publicado no blogue, a humilhação que aquele ser humano me submeteu realmente me impactou negativamente e me fez acreditar que eles eram poemas horríveis, capazes de gerar asco, então, a primeira coisa que fiz depois de jogar meu caderno fora, foi ir para casa e deletar quase todos os meus poemas (salvo um ou dois), não queria que ninguém mais visse o que eu havia escrito. Hoje, os meus arquivos de publicações daquele ano no WordPress estão assim:

Capturar

“Desconhecido ou excluído” – frase repetida mais de 30 vezes, um embaixo do outro se referindo a todos os poemas que excluí do blogue.

Para mim, poemas nunca se prenderam às regras gramaticais e a licença poética sempre me pareceu ser muito mais do que apenas uma incorreção da linguagem permitida na poesia. Poesia é liberdade de expressão, o escritor se desprende da normatividade das regras gramaticais em busca de atingir seus objetivos de expressar o que sente. A poesia não é e nem deve ser engessada, dura, construída com cimento sob normas que poucos seres humanos obedecem. Se eu soubesse em 2016 o que sei hoje sobre poesia, com certeza não teria ficado em silêncio enquanto aquele ser humano debochava da minha ingenuidade. Mas não tem jeito, a praga foi jogada. Não consigo mais escrever poemas, sinto pavor em receber uma crítica. A categoria de “poemas” do blogue já não tem nenhuma poesia, apenas textos aleatórios.

– Rejane Leopoldino