Curto conto de uma noite em um Prostíbulo.

Ele ficava por perto, rondando, sondando, a observando de longe por semanas dentro do prostíbulo sem emitir nenhuma palavra. Todas aquelas trocas de olhares mudos. Claramente obcecado, enciumava-se quando ela subia para os aposentos com outro. Ganhar seu dinheiro. É a vida dela, nada podia fazer a respeito. Nenhuma outra garota o interessava, tinha o hábito de sentar-se em uma das poltronas de couro escondido entre a luz vermelha do ambiente e cronometrar no seu relógio de pulso o tempo que ela passava com os outros cavaleiros. Obcecado, mas nunca a contratou, nem por 10 minutos que fosse, seu prazer era assisti-la ser cortejada por homens que não pareciam ser tão interessantes e inteligentes quanto ele. Bebia pouco, o bastante para sentir calor e afrouxar a gravata. Uma noite recebeu além da sua bebida um bilhete em papel sem pautas, letra itálica.

Querido,

Ou me fode ou sai de cima. 

Esses impasses não combinam comigo, se agregue à mim, resquícios seus não me satisfazem e pequenos sinais da sua presença não são o bastante. Não se engane, não estou pedindo para ser sua amante, apenas se decida. 

Ou me fode ou sai de cima. (Por favor, me fode)

– Rejane Leopoldino