Ainda sobre Marie de Gounay e o livro Arqueofeminismo, de Maxime Rovere.

Vejam como a mente de Marie de Gounay (e eu não me canso de falar desta mulher) escritora e filósofa francesa era perspicaz:

Ela escreveu uma carta à rainha regente Ana de Áustria, filha de Felipe III e Margarida de Áustria, esposa de Luís XIII (depois da morte do rei, Ana assumiu o trono francês como regente no período de 1643 a 1651, até quando Luis XIV atinge a maioridade e torna-se rei em sucessão à sua mãe), a incentivando a apoiar a igualdade entre homens e mulheres e servir como exemplo para seu sexo em uma época dominada pelo patriarcado onde as mulheres não tinham suas vozes ouvidas a menos que estivessem sendo apoiadas por outros homens. Uma carta à rainha, ela não poderia ser chamada de menos do que ousada.

Não satisfeita, Marie de Gounay também escreveu o livro “Igualdade entre homens e mulheres” que serve como um tapa na cara de todos aqueles que acreditam na supremacia masculina. Ela não mediu esforços para embasar o seu pensamento igualitário, citando como fontes infinitas mentes antigas de nome ilustre, tais quais Platão e Sócrates que atribuem as mulheres os mesmos direitos, faculdades e funções ou ainda Plutarco, que em seu segundo livro de sua obra “Moralia” defende que a virtude do homem e da mulher são iguais. E ela não para por ai, Erasmo, teólogo e humanista, Poliziano, humanista, dramaturgo e poeta e Agrippa, pensador alemão famoso por argumentar em seu escrito “sobre a nobreza e pré excelência do sexo feminino”, que as mulheres poderiam ser consideradas superiores ao sexo masculino, ela citou todos estes nomes e vários outros, todos se opondo a aqueles que desprezam o sexo feminino, e quando já havia falado sobre as mulheres no campo intelectual, passou a falar da participação feminina na nobreza, criticando a Lei Sálica, que foi um código elaborado no início do século IV e que ainda estava em vigência na alta Idade Média. No século XIV, um artigo desse código foi separado do seu contexto original e empregado por juristas da dinastia real capetiana na França, para justificar a proibição das mulheres a ascenderem ao trono francês.

Após falar sobre a desigualdade sexual na nobreza, e nos campos intelectuais, Marie de Gounay vai de encontro ao debate com a igreja, refutando a ideia que se faz da Escritura de que o homem é dono da mulher, pois estes dois sexos vieram ao mundo como um só e suas únicas diferenças dizem respeito aos órgãos sexuais. Ou quando ela diz que: “Jesus Cristo é chamado filho do homem, embora ele só o seja da mulher” e ainda sobre a religião, ela diz: “Se os homens se vangloriam que Jesus Cristo tenha nascido com seu sexo, respondemos que tinha de ser assim, por um necessário decoro. Se ele tivesse sido do sexo feminino, não poderia ter se misturado às multidões a qualquer hora do dia e da noite a fim de socorrer, converter e salvar o gênero humano […] E ainda que alguém seja tão obtuso a ponto de imaginar que Deus é masculino ou feminino, embora seu nome pareça ter uma ressonância com o masculino, não há a necessidade de escolha de um sexo em detrimento de outro para honrar a encarnação de seu filho, esta pessoa mostra claramente que é tão mal filósofo, como teólogo”.

Deixo expressa aqui minha devoção a esta mulher.

– Rejane Leopoldino

 

 

Noivado secreto, casamento ilegal.

Uma repórter americana viaja até um vilarejo rural no Rajastão com sua intérprete para participar de uma cerimônia de noivado que a ajudará a escrever uma reportagem sobre os costumes matrimoniais daquela região. O noivado é de Nulaja, 5 anos, segunda filha de um agricultor a quem vamos chamar de sr. F. Quando Nulaja atingir a puberdade, mais precisamente a menarca, ela se casará com Hathab, que agora tem 10 anos e vem de uma família respeitada.

Em um quarto dentro da casa do sr. F, as esposas do vilarejo e a mãe de Nulaja a estão preparando para o cerimônia. Nulaja não faz ideia do que está acontecendo, ela brinca, corre e sorri para a câmera da repórter até que sua mãe a pega no colo para dar-lhe banho em uma bacia grande com água morna. A mãe de Nulaja tem apenas 19 anos.

Legalmente, as indianas só podem se casar depois dos dezoito anos, então a cerimônia de noivado é feita em sigilo, e acontecerá somente à meia noite, pois caso um policial não subornável apareça, o sr. F. pode ser preso. – como de fato deveria.

A repórter e sua intérprete estão sentadas conversando no chão de pedra do quarto onde Nulaja toma banho rodeada por quatro outras mulheres que fazem seu trabalho em silêncio. A repórter conversa em inglês sobre o quão abominável é o fato de que Nulaja, ainda tão jovem, estar condicionada ao casamento arranjado pela família. A intérprete diz aquele caso, embora seja horrendo não era dos piores: principalmente na àrea rural da India, é comum que as meninas se casem com noivos cinco ou sete anos mais velhos do que elas, mas em outros lugares como no Afeganistão, ou no Iêmen, por exemplo, Nulaja poderia estar se tornando noiva de um homem de 25 anos, para casar-se com ele quando ela tivesse 13 e ele 33, nesses casos, alguns noivos nem sequer respeitam a gauna, (cerimônia de tranferência física de uma noiva para a família do noivo), e estupram a noiva antes da cerimônia de casamento. Eles fazem isso com a desculpa de que querem “provas” de que estarão se casando com uma virgem, revela a intérprete.

As mulheres que estão banhando a criança olham para a repórter quando ela começa a conversar em outra língua, demonstrando claro desconforto com sua presença naquele lugar. A repórter pergunta para a intérprete com uma voz ainda mais baixa, se alguém, mãe ou irmã, já conversou com Nulaja sobre o fato dela estar se tornando noiva. A intérprete  balança negativamente a cabeça e responde que para encorajar a noiva a não se rebelar contra o casamento conforme ela for crescendo e chegando cada vez mais perto do matrimônio (o que poderia causar uma grande vergonha e desonra para a família), as outras mulheres preferem não dizer nada. Conforme ela for crescendo, continua a intérprete, Nulaja irá ouvir com frequência o termo paraya dhan, que significa “riquesa de outro” e se aplica as filhas que ainda moram com os pais.

Para a repórter e a intérprete é difícil resistir ao desejo de salvar Nulaja. Pegar ela no colo quando ninguém estiver olhando e sair correndo do vilarejo numa tentativa de impedir o noivado a todo custo.

A intérprete e a repórter conseguiram conversar com as mulheres do vilarejo enquanto aguardavam a cerimônia de noivado começar. Segundo uma das mulheres, de aproximadamente 52 anos e que aparentava ser a mais velha daquele lugar, a mãe de Nulaja casou-se aos 11 anos com um homem de 18, logo após a sua menarca, e pouco tempo depois deu à luz com 13 anos. Ela teve hemorragia interna após a consumação do casamento e após o parto, mas não tinha educação nem acesso à informação para se cuidar e essa é uma realidade frequente entre as mulheres daquele vilarejo.

  • Muitas meninas, por casarem-se cedo, também sofrem ruptura dos orgãos internos provocada pela relação sexual e morrem devido a hemorragia, este fato é diminuido entre os maridos, dizem que é uma normalidade e por conta disso não levam essas jovens ao hospital.
  • Quando as meninas vão ao hospital em trabalho de parto (se forem à um hospital), as enfermeiras precisam explicar à elas o que está acontecendo. Com 13 anos elas sabem que é um bebê? que uma criança está saindo delas? Nem todas.
  • O Islã não permite relações conjugais antes que a menina esteja fisicamente pronta, mas o Alcorão Sagrado não menciona nenhuma restrição de idade. E sabemos como a interpretação deste livro é subjetiva, varia de pessoa para pessoa.

– Rejane Leopoldino

Brasil e mulheres

Minha avó Arestides teve oito filhos durante os anos de 1930 e lá vai bolinha:
Augusto
Carlos
Maria
Lourdes
Amélia
Adenildo
Miriam
Eliane

Minha mãe Miriam teve dois filhos depois de 1970:
Wagner
Rejane

Wagner nasceu em 1976 e embora tenha sido casado por mais de vinte anos, não teve filhos, mas criou a irmã mais nova.

Rejane nasceu em 1998 e não pensa em ter filhos, ao menos por enquanto, e se tiver que seja apenas um, mas também pode ser um cachorro ou um gato.

Embora não seja um fenômeno exclusivo do Brasil, aqui o tamanho das famílias sofreu uma quedra brusca nas últimas cinco décadas. Famílias ricas, ou pobres que vivem na cidade ou no campo, a maioria delas parecem ter atualmente o consenso de que um ou dois filhos é o suficiente para a constituição de uma família. Cynthia Gorney, repórter da National Geographic que escreveu uma matéria sobre a queda da taxa de natalidade no Brasil, cita alguns fatores que podem ter infuênciado esta queda:
– Mulheres passaram a ter um papel mais expressivo na força de trabalho do país;
– Melhora no nível educacional dos jovens;
– Em 2011, quase 85% da população vivia em áreas urbanas, onde uma família menor é economicamente mais vantajosa;
– Acesso à energia elétrica e tecnologia. Em 1960 o acesso as telenovelas realmente produziram um efeito sobre a taxa de natalidade. No fim das contas, a frase que meu irmão mais velho dizia ouvir dos nossos avós maternos: “nós faziamos filhos porque no meu tempo não tinha televisão” parece ser verdadeira. Nas telenovelas, nove em cada dez personagens tem apenas um filho ou nenhum, o que pode ter influenciado as brasileiras a desejarem uma família menor.
– Também em 1960 as pílulas anticoncepcionais chegaram ao mercado.

Fatores todos estes que influenciaram as mulheres a se prepararem para um planejamento familiar antes de se construir uma família. Durante 1970 e 1980 quando o Brasil voltou a ter grande influência feminista, (depois do voto ter sido conquistado em 1932 durante do governo de Getúlio Vargas, embora somente em 1946 a obrigatoriedade tenha sido extendida para as mulheres) quando termos como o “machismo” passaram a ser frequentes no vocabulário, as mulheres já se encontravam mais cientes de como a violência familiar e doméstica não deveria ser uma realidade natural. Passaram então a assumir o controle da sua vida amorosa com mais poder de decisões na família do que antes.

O sonho de uma mulher no século XXI já não está mais ligado à constituição de uma família, essas mulheres almejam em primeiro lugar uma boa educação, em segundo lugar, idependência financeira e estabilidade profissional e em terceiro lugar uma relação amorosa e quem sabe, casamento. Não entendam mal, criar filhos não sumiu dos desejos modernos, contudo ainda há muitas dificuldades enfrentadas pelas mulheres que estão ativas no mercado de trabalho e desejam um filho, como por exemplo o fato de metade das mulheres grávidas serem demitidas na volta da licença maternidade.

Questões aquisitivas são determinantes para a decisão de se ter ou não filhos, e quantos filhos ter, afinal, quanto custa ter um filho? E não estou a falar apenas do dinheiro.

– Rejane Leopoldino

Referência: Gorney, Cynthia. “Elas têm a força.” National Geographic Brazil, 2011, p. 40+. National Geographic Virtual Libraryhttp://tinyurl.galegroup.com/tinyurl/6oTb39. Accessed 19 July 2019.

 

 

 

 

 

 

Relacionamentos abusivos, buzzfeed e como boa parte da minha geração, infelizmente, precisa de incentivos para se informar sobre algo.

Não é preciso me conhecer a fundo para saber que eu tenho uma posição extremamente firme contra a violência doméstica e familiar e busco apoiar projetos e ações que defendam o combate às agressões ou procuro dar suporte emocional para mulheres, filhos ou filhas que sofreram qualquer tipo de violência durante um relacionamento abusivo.

Eu já vi diversas amigas minhas entrarem em um relacionamento abusivo e permanecerem neste relacionamento por não saberem identificar a tempo as características de um namorado(a) abusivo(a). Quando eu sentei com uma amiga minha  a cerca de onze meses atrás para conversar sobre como o relacionamento dela com o seu companheiro não era saudável, já era tarde demais, ela estava emocionalmente dependente dele e achava correta e natural a forma possessiva com que ele a tratava. Eu sei que assuntos como este devem ser abordados da forma mais delicada possível com a vítima, mas mesmo com a minha delicadeza, ela viu a minha conversa como um afronto à relação dela com o seu companheiro, e por consequência disso, ela se afastou de mim.

Em uma época tecnológica, onde a informação se encontra a um click de distância, parece cômico que ninguém se informe sobre nada. Poucos adolescentes e jovens adultos sabem identificar um relacionamento abusivo, pois para você absorver uma informação é necessário ler a respeito, e muitos seres humanos não parecem (e de fato não estão) interessados nisso. Sendo assim, eu defendo uma abordagem dinâmica, moderna, rápida, tecnológica e que promova engajamento entre os “jovens de hoje em dia”, como ferramenta para iniciar a discussão de temas tal qual o abuso infantil, relações abusivas, violência familiar e doméstica, narcisismo familiar, etc.

Felizmente algumas plataformas como o BuzzFeed sabem trabalhar as suas publicações para engajar as atuais gerações que se alimentam constantemente de likes e hashtags, em temas urgentes, promovendo o debate saudável com o auxílio da internet em publicações interativas, coloridas, compartilháveis e instagrameáveis que ajudam a difundir a importância do diálogo.

Disponibilizo aqui, sim, aqui mesmo, pode clicar, um dos famosos “testes do BuzzFeed” produzido pela repórter do BuzzFeed News Brasil, Tatiana Farah, que busca disponibilizar de uma forma interativa as características de um relacionamento abusivo.

– Rejane Leopoldino

Dicionário informal

Quando eu era criança, digo, com meus 9 anos, o meu irmão mais velho a quem chamo de “Tato” (Tato é um apelido carinhoso dado aos irmãos mais velhos pelos mais novos, era um apelido mais comum, segundo meu avô, na década de 60 e se meu avô disse, é verdade) me incentivou a ler o dicionário, um pouquinho por dia com o objetivo de deixar o meu linguajar mais sofisticado e menos repetitivo. Era pra ser um pouquinho por dia mas eu li em duas semanas (veja, eu era uma criança que não saía para brincar, tinha muito tempo livre depois da escola), e também… acho que ele nunca acreditou que eu leria o dicionário inteiro de A à Z. Bom, eu li. Assimilei uma boa parte, principalmente porque anotava em um caderno as palavras divertidas e engraçadas que eu encontrava. Eu lembro de rir muito com a palavra “rechaçar” algo na fonética dessa palavra me fazia rir, não me lembro o quê ao certo, mas o significado não é tão engraçado.

Bom, não sou mais uma criança de 7 anos, porém ainda mantenho um caderninho onde anoto as palavras que não conheço. Quando estou lendo um livro e me deparo com uma palavra desconhecida, eu pesquiso o significado e o anoto no caderninho, além de escrever uma aplicação em uma frase para assimilar com mais facilidade.

O meu pobre caderninho deve ter seus 5 anos de idade, ele é um caderninho de bolso, pouco maior que um bloco de anotações, já está surrado, e sim, algumas folhas estão caindo, mas tem lá seu valor…

– Rejane Leopoldino

Gerações Y,Z e ALPHA

Enquanto estava afastada do blogue, eu assisti a mim e meus amigos que estão na faixa dos seus 20 e tantos anos desenvolver conversas na mesa de um bar em São Paulo sobre assuntos como:

“Vocês sabiam que o mercado X oferece cupons de desconto em alguns produtos através de um aplicativo?” 
“Já que vamos viajar, então é melhor fazermos um seguro viagem, posso fazer uma agora pelo celular”.
“O site Y está vendendo um jogo de 10 panelas anti aderentes da Tramontina por 169,00 reais!”
“Então, vocês sabiam que a Nubank está rendendo mais que a poupança?” – 100% do CDI.

Onde eu quero chegar com isso? Bom…

Nós da geração “Z” (pessoas nascidas entre meados dos anos 1990 até o início dos anos 2010) levamos a fama de “antenados” por sermos aqueles que nasceram entre o BOOM de equipamentos tecnológicos e o famoso www, muito familiarizados com a internet, aparelhos digitais, telefones móveis, internet, etc. Não é mentira, compreendemos muito  mais o mundo digital do que a realidade que está na nossa frente. Acredito que uma prova disso, é que todos os assuntos que relatei que tivemos na mesa de um bar foram seguidas por pesquisas na internet. Estamos falando de um aplicativo online que nos dá desconto, um seguro de viagem fechado na mesma hora, totalmente online, um site vendendo panelas baratas e um banco 100% digital que rende mais que a poupança. O mundo de papel e caneta que por enquanto ainda estamos habituados a conhecer está escoando pelo funil da tecnologia digital, esse funil vai aos poucos e a conta gotas nos dando soluções digitais para problemas de papel. Estamos nos tornando adultos que tem diante de si uma ampla gama de ferramentas tecnológicas a nossa mercê, já não usamos mais a internet apenas para diversão, nós resolvemos problemas, fazemos investimentos, realizamos compras, elaboramos aplicativos, dentre diversas outras atividades da vida adulta sem sairmos de casa e estamos -embora muito não estejam- tentando fazer o melhor uso disso de uma forma responsável.

Esse filtro facilitador que o mundo digital nos dá sob o mundo real deve-se ser utilizado com cautela, pois os filhos da geração Z provavelmente viverão na realidade virtual, uma realidade virtual criada pela geração Z e Y, e esses filhos terão dificuldade de discernir o que é ou não a realidade.

Ainda não se fala muito em educar desde tenra idade as crianças da geração “ALPHA” (nascidos depois de 2010) sobre os usos da tecnologia em excesso. Eu particularmente, considero uma urgência, pois as próximas tecnologias serão criadas por uma geração que já está viciada na era digital (geração Z), e não tem como um viciado educar ao outro.

– Rejane Leopoldino, Geração Z, safra de fevereiro de 1998.

 

 

A Google Assistant é uma ferramenta deveras poderosa.

Através do reconhecimento de voz, chegará o dia em que não precisaremos usar nossos dedos para mais nada, a Google Assistant realizará tudo através do som das nossas vozes.
– Eu mesma.

Já estou familiarizada com a possibilidade de pedir para a Google Assistant abrir um aplicativo, tocar músicas no Spotify ou no Youtube, mandar mensagem para os meus amigos, ligar para algumas pessoas, agendar um lembrete, adicionar uma tarefa, localizar X documento ou então definir meu alarme para às 6:00 horas. Mas hoje descobri que posso solicitar e configurar uma “rotina”.

Veja que eu acordo pela manhã, digo “Bom dia” em voz alta, a Google Assistant começa a realizar uma série de rotinas configuradas por mim mesma para me “ajudar” nas atividades da manhã. Primeiro, ela desativa o modo silencioso, ajusta o volume da minha mídia para 50%, me fala a previsão do tempo, informa os meus lembretes, e em seguida, toca a minha playlist Lo-Fi favorita. Sozinha, sem eu precisar mover um dedo. E no final ainda me deseja um “ótimo dia”.

Se eu digo “Estou em casa” ela fala as tarefas que tenho em casa, ajusta a mídia para o volume máximo e começa a tocar outra playlist favorita.

Se eu digo “Boa noite” ela ativa o modo silencioso e me pergunta para que horas deve configurar o meu alarme.

Essa são só algumas das ações, há várias, todas configuráveis para se adaptar com as necessidades do portador do aparelho móvel, como por exemplo: dizer as principais notícias do dia, definir melhor trajeto para X local, falar sobre a minha agenda, etc. Tenho a impressão de que ela é uma ferramente muito corporativa.

De toda forma, ainda temo o advento dessa tecnologia, pois não deixa de ser um filtro comportamental e as minhas neuroses de poder estar sendo observada e analisada por um bot muito inteligente ainda me intriga. Pois se há alguma espionagem (e com certeza há), o algorítimo já deve ter traçado e juntado grandes informações sobre mim, o algorítimo já sabe, por exemplo, os meus gostos musicais, os sites que entro com mais frequência, os telefones de quem mando mensagem/ligo, a hora em que acordo além de saber detalhes da minha vida pessoal que são inseridos na minha lista de tarefas e não o bastante a Google Assistant sabe meu endereço residencial e o endereço do meu trabalho, tanto que quando entro no Google Maps, independente de onde eu esteja, ele automaticamente já sugere que eu trace um caminho para a minha casa.

No dia a dia pode ser prático ter todas essas facilidades, mas se formos analisar o quanto estamos sendo observados… cá entre nós, é assustador!

Não damos nosso endereço, número de telefone, dados pessoais, contatos ou informações privadas para pessoas desconhecidas, mas damos para uma máquina, um bot, controlado por pessoas desconhecidas.
-Rejane Leopoldino (eu mesma)

Edit 1 – acabo de descobrir que existem ferramentas da Google que permitem diminuir a luz ambiente, aumentar a temperatura do climatizador da sua casa, entre outras várias funções através do reconhecimento de voz e estão disponíveis para compra no site da Google Assistant  sob o lema “Seguro, seguro e sob seu controle”.