Dia das Mulheres

Já que é só no dia das mulheres que conseguimos visibilidade, então vamos usar essa visibilidade para falar do que realmente importa:

Para os caras que gostam de apalpar na rua, transporte público, festas e carnaval, acho que eles não estão sabendo: Importunação Sexual

Importunação sexual Art. 215-A. Praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro: Pena – reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o ato não constitui crime mais grave.”

  • Não é simplesmente “terminar um relacionamento abusivo” – os agressores perseguem e ameaçam as vítimas até mesmo depois do término do relacionamento para intimidá-las a não denunciá-los para a família,  polícia ou Delegacia da Mulher
  • Violência doméstica é um padrão de comportamento, não acaba de um dia para o outro.
  • Dizer que tal mulher faz algo como se fosse um homem NÃO É ELOGIO.
  • Chamar uma mulher desconhecida de gostosa na rua é NOJENTO e NÃO É um símbolo de masculinidade.
  • Bater, humilhar, ameaçar, chantagear e cuspir bosta para a sua esposa o ano todo mas dar flores dia 8 de março NÃO te faz um homem/marido melhor.
  • Se ouvir a sua vizinha gritando por ajuda porquê está apanhando do marido, FAÇA ALGO, não venha com essa de que “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher” É pra meter a colher sim! Mete a polícia, mete a vizinhança, mete tudo!!! Não seja conivente com a violência doméstica!
  • Nunca diga que determinada cor, tarefa, atividade, esporte, emprego, etc é coisa de mulher, nada disso tem gênero!
  • Quer ser um bom homem? Apoie as mulheres da sua vida, se presenciar alguma importunação sexual ou assédio, denuncie! Proteja, tire satisfações, não deixem os “machos escrotos” na impunidade. A participação masculina é fundamental na luta contra a desigualdade de gênero.

INFORMEM-SE -> Panorama da violência contra as mulheres no Brasil

Quadro de atendimento à vítima de violência doméstica em São Paulo:

Atendimento à Vítima de Violência Doméstica – Delegacia de Defesa da Mulher – Decap

Atendimento de polícia judiciária e atendimento psicossocial à vítima de violência doméstica, violência sexual, crianças e adolescentes vítimas. Todas as vítimas de violência sexual são encaminhadas ao Hospital Pérola Byington a fim de serem devidamente medicadas e receberem atendimento psicossocial (Programa Bem-Me-Quer).

1ª Delegacia de Defesa da Mulher – Centro
Rua Dr. Bittencourt Rodrigues, 200 – térreo – CEP 01017-010 – São Paulo
Telefone: (11) 3241-3328

2ª Delegacia de Defesa da Mulher – Sul
Avenida Onze de julho, 89 – térreo – CEP 04041-050 – São Paulo
Telefone: (11) 5084-2579

3ª Delegacia de Defesa da Mulher – Oeste
Avenida Corifeu de Azevedo Marques, 4300 – 2º andar – CEP 05339-002 – São Paulo
Telefone: (11) 3768-4664

4ª Delegacia de Defesa da Mulher – Norte
Avenida Itaberaba, 731 – 1º andar – CEP 02734-000 – São Paulo
Telefone: (11) 3992-6875 , (11) 3976-2908

5ª Delegacia de Defesa da Mulher – Leste
Rua Dr. Corinto Baldoíno Costa, 400 – 2º andar –  CEP 03069-070 – São Paulo
Telefone: (11) 2293-3816

6ª Delegacia de Defesa da Mulher – Santo Amaro
Rua Sargento Manoel Barbosa da Silva, nº 115 – 2º andar – CEP 04675-050 – São Paulo
Telefone: (11) 5521-6068 e 5686-8567

7ª Delegacia de Defesa da Mulher – São Miguel Paulista
Rua Sabbado D’Angelo, 46 – Itaquera – térreo – CEP 08210-790 – São Paulo
Telefone: (11) 2071-3488

8ª Delegacia de Defesa da Mulher – São Mateus
Avenida Osvaldo do Valle Cordeiro, 190 – 2º andar – CEP 03584-000 – São Paulo
Telefone: (11) 2742-1701

9ª Delegacia de Defesa da Mulher – Pirituba
Avenida Menotti Laudisio, 286 – térreo – CEP 02945-000 – São Paulo
Telefone: (11) 3974-8890
Fonte: Cidadão São Paulo – Gov

Me deixem dicas de livros de Mulheres que escreveram sobre sua experiência e superação na luta contra a desigualdade e violência doméstica. ❤

 

Isso que chamamos de egoísmo – amizades que se tornam tóxicas.

É do fundo do coração que digo isso: não culpe seus amigos por suas frustrações, não despeje palavras de ódio em cima de quem te quer bem. Todos ficamos mal de vez em quando, não seja egoísta de achar que só você tem problemas, dê valor aos amigos que sempre te escutaram quando você estava mal e quando um outro precisar do seu ombro engula suas angústias e vá oferecer sua presença, saiba reconhecer a vez do outro. Converse, dialogue, precisamos nos comunicar, ter nosso próprio psicólogo particular e poder chamá-lo de amigo é sim um privilégio. Mas de verdade, não seja desagradável, alguém que sempre esteve ao seu lado como amigo e confidente não merece ser tratado com ingratidão.

Ninguém é responsável pelo desenvolvimento individual do outro, isso apenas se cobra de nós mesmos, então, não me jogue nas costas a responsabilidade de lidar com os seus demônios quando você não está disposto a lidar com os meus. Amizade é uma via de mão dupla, eu estou por você e você por mim, se esse equilíbrio não se mantiver, sinto muito, não conte comigo.

Eu repito: todos ficamos mal de vez em quando, sobrepor os seus problemas aos dos outros é um grande ato de egoísmo, saiba a hora de sair dos holofotes.

– Rejane Leopoldino

O Projeto mais íntimo e profundo que já participei.

Em julho, participei de um projeto da  incrível Amanda Areias chamado “Goya“. O projeto em si tem como objetivo reunir pessoas desconhecidas para contar histórias que tenham vivenciado, histórias reais, contadas por pessoas reais e ouvidas por outras dezenas de pessoas reais pois ela acredita que a melhor forma de conhecer as pessoas, é ouvindo suas histórias. E o projeto foi tão incrível e surpreendente que eu preciso comentá-lo.

As vagas eram limitadas, limite de 30 pessoas. Fui convidada a ir por duas amigas da faculdade que acreditaram ser uma experiência incrível para mim, e que mandaram meus dados para a Amanda na mesma hora já para garantir minha vaga. Pois bem, minha inscrição estava feita e quando o dia do projeto chegou eu não podia estar mais acanhada. Eram 30 pessoas desconhecidas sentadas em roda em uma sala muito aconchegante de um prédio antigo em cima de uma cafeteria no centro de São Paulo e o clima de timidez mútua falava muito alto, sentei ao lado das minhas duas amigas por questão de zona de conforto, porém, pouco tempo depois, iniciamos uma dinâmica para nos socializarmos com as outras pessoas e a Amanda pediu para que todos trocassem de lugar.

Demos início então a uma apresentação rápida respondendo a perguntas como Nome, idade, uma coisa que gostamos e outra da qual não gostamos. E aqui deixo minhas respostas para registro: Rejane, 20 anos, gosto de escrever, não gosto de injustiças.

Entre todas as apresentações, duas me chamaram atenção, a moça que estava justamente do meu lado direito disse que “não gosta de café”. Pois é, meu sobrenome é Caffé. Sim, isso mesmo, Caffé. Com dois Fs e tudo mais. Minhas amigas e eu logo trocamos olhares pela situação ter sido no mínimo engraçada pela coincidência. A outra apresentação que me chamou muita atenção, foi de uma moça que disse de um jeito muito agitado quase como se estivesse com raiva de algo, que não gostava que a dissessem para “ficar calma”. Achei curioso aquilo, não por ela não gostar, mas porque ela parecia realmente estar nervosa, parecia alguém que você facilmente diria: amiga, fique calma. E eu automaticamente imaginei ela como alguém que eu não suportaria conviver pois a achei muito estressada e além disso, ela parecia aquelas patricinhas de filme americano. “Um nojo” como diria a atual juventude.

Bom, as histórias começaram, teve história que me fez rir, chorar, ficar sem ar, teve gente que foi só para ouvir…

Então, chegou a vez daquela moça que falou que não gostava que dissessem para ela ficar calma. Quando ela começou a contar, eu mordi a minha língua na hora e mordi feio. Ela passou por muita coisa, depressão, tentativa de suicídio, um namorado lunático, problemas na família… enfim, não estou aqui para contar a sua história, mas naquele momento eu percebi que ela não era nada daquilo que eu havia julgado pela primeira impressão. Nada. Daquilo.
Aliás, muito pelo contrário, depois de ter passado por tudo o que passou ela hoje está vivendo uma outra vida, inclusive comecei a segui-la no Instagram e semana passada ela estava viajando pela Europa realmente vivendo uma vida que um dia ela havia tentado dar um fim. 

Ok, Rejane. Mas o que você quer dizer para nós com essas 524 palavras?

Quero dizer que todo mundo tem uma história para contar. Nós somos seres humanos e nos moldamos com base nas nossas experiências de vida, temos nossos demônios particulares e não podemos julgar ninguém pela primeira impressão, a primeira impressão não te apresenta a história de alguém, nem as dores ou alegrias que ela viveu, a sua essência só aparece, quando muito, em um diálogo bem aberto e honesto, com o coração na mão e o peito exposto.

Então, se vocês sentem “ranço” por alguém que não conhecem direito, por favor, deixem isso de lado. O que eu vivi naquela sala, naquele dia, foi intenso, foi como um baque na minha cabeça dizendo: “Agora você vê, Rejane? O que está por fora, não é a verdade ”
A frase é clichê, mas não devemos julgar um livro pela capa. Jamais. Eu poderia escrever aqui o dia todo sobre centenas de experiências que eu tive relacionadas ao julgamento de pessoas que eu mal conhecia, ou sobre todas as outras reflexões que aquele projeto me levou a ter, mas acredito que eu já tenha passado a minha mensagem.

– Rejane Leopoldino