É só ego ferido: senta aqui e toma um café, logo passa.

Rejane Leopoldino (6)

Após uma desilusão amorosa todos nós sentimos isso, apenas não sabermos como verbalizar. É egocêntrico desejar que a vida amorosa de outra pessoa seja um fracasso só porque fere o nosso ego saber que não somos insubstituíveis para alguém e que amanhã essa pessoa pode aparecer de mãos dadas com outro(a).

Não seja esse Chernobil na vida de alguém. Supera, vai se hidratar, fazer exercício, ler um livro… não fica amaldiçoando a vida amorosa alheia só porquê você não está contente com o término do relacionamento.

– Rejane Leopoldino

 

É o começo de uma nova etapa para mim – e muitas coisas estão por vir

Rejane Leopoldino


Eu não escrevia poesia a muitos anos, o motivo vocês já sabem.
Acontecimentos extraordinários ocorreram nos últimos meses, principalmente no meu campo emocional e afetivo e em determinado momento, a poesia me pareceu ser uma porta de saída para emoções e sentimentos que me inundavam mas não conseguia expressar. Quando dei por mim, já estava escrevendo muitos poemas com uma facilidade que eu não tinha a anos. E me parece adequado compartilhá-los aqui. Primeiro porque acredito que essa maré de não me identificar ou me reconhecer como uma escritora durou tempo demais e apenas prejudicou minha auto estima com pensamentos de que eu talvez não fosse boa o suficiente para exercer esse ofício, e segundo, porque já passou da hora de superar meus traumas do passado em relação a poesia.

Há muitas novidades por vir e o blogue vai ser a porta de entrada dessas novidades. Então fiquem atentos a algumas mudanças (e novidades) que vão chacoalhar positivamente as estruturas deste blogue e as minhas.

– Rejane Leopoldino

 

 

 

 

 

Poemas experimentais de uma poetisa há muito adormecida

Se a intenção era não desenvolvermos uma relação vazia, falhamos.
porque a falta que a sua presença faz
É um vazio


Faria melhor pro meu ego
(e com certeza doeria bem menos)
se eu tivesse sua presença em demasia
só para poder me afogar em você
de novo (e bem mais do que da primeira vez)

Desejos do meu eterno egocentrismo
uma parte minha que não se importa em sair machucada
contanto que possa provar de você um pouco mais


Não consigo dizer o quanto eu queria ficar
e eu teria ficado
o que tira meu sono é saber que
você merece um amor muito maior do que eu posso oferecer
o que tira meu sono é saber que
ao fechar meus olhos, você será o protagonista
como foi nas últimas 5 noites


Eu menti
na verdade, o que não sai da minha memória
são suas mãos acariciando minhas costas
no momento em que eu não sabia onde você começava
e eu terminava.

– Rejane Leopoldino

É por esse motivo que não escrevo mais poemas desde 2016.

Um amigo me perguntou após ler o meu blogue de cabo a rabo, o por que de desde o fim de 2016 eu não ter mais escrito poemas. Bom, aqui escrevo a minha perturbadora resposta mascarada de desabafo.


Pode ser uma novidade para vocês, mas o blogue existe desde dezembro de 2014. vejamos em 2014 eu tinha… 16 anos, estou com 21 agora, é faz tempo. Eu comecei escrevendo poesias, a única categoria do site era: “poemas”, não haviam outras categorias. Eu estaria mentindo se dissesse que as poesias eram boas, mas elas também não eram ruins, eram poesias adolescentes dedicadas aos meus namoradinhos. Vá… eu tinha 16 anos.

Eu continuei por mais dois anos escrevendo minhas poesias no blogue, elas foram melhorando e eu estava orgulhosa do meu progresso, já não eram sobre os namoradinhos, eram muito mais maduras. Até que em 2016, poucos dias depois de eu completar 18 anos, conheci uma jovem moça, que felizmente não me lembro do nome, metida a intelectual, com um ar de superioridade e a falsa maturidade dos seus 22 anos. A conheci dentro de um shopping na livraria da Saraiva onde eu estava sentada em uma das mesas escrevendo alguns versos, esta moça procurava um lugar para sentar pois todas as outras mesas estavam cheias, ela perguntou se poderia se sentar comigo, eu disse que sim e começamos a conversar, ela viu que eu estava escrevendo poesias, perguntou se eu gostaria de ler as poesias dela, eu disse que sim e ela tirou um caderno da sua bolsa e as mostrou para mim. Os poemas de fato eram ótimos, muito bem escritos, lembro de me sentir o patinho feio dos poetas quando ela pediu que eu mostrasse a ela os meus versos.

Quando ela leu o meu caderninho de poemas, não fez comentários sobre o conteúdo do que eu havia escrito, apenas arqueou uma sobrancelha e perguntou quais os tipos de “formas poéticas” que eu mais gostava de utilizar e eu perguntei com muita ingenuidade: “como assim?”. Ela riu da minha cara. Achou ridículo (e ela realmente utilizou esta palavra) eu não saber o que era um poema Dístico, Décima, ou que Sonetos são compostos por exatamente 14 versos. Eu me senti realmente humilhada com a risada dela. Eu só tinha 18 anos, era uma garota sensível que não estava preparada para sofrer deboche e ridicularização de uma pessoa desconhecida e metida a intelectual. Ela disse que os meus poemas seriam melhores se eu escrevesse como ela e começou a reescrever sem nenhum pedido meu ou autorização os meus poemas em uma folha avulsa de seu caderno, corrigindo a forma poética se esnobando para mim, eu me senti humilhada pela crítica negativa aos meus poemas juvenis, tão humilhada que eu não tinha forças na voz para argumentar, só queria sair dali e ir chorar em uma cabine do banheiro feminino.  Ficar sentada naquela mesa enquanto eu a assistia debochar dos meus poemas e “corrigi-los” sem nenhuma autorização, foi uma tortura. Primeiro porque eu permaneci em silêncio, chocada demais com o atrevimento da atitude dela, segundo porque o meu silêncio deu a certeza que ela precisava de que podia me esnobar o quanto quisesse que eu não seria capaz de contra atacar.

Depois de alguns minutos sob aquela tortura, eu tive um lampejo de amor próprio, peguei minhas coisas, me levantei da mesa sem olhar para a cara daquela moça e fui chorar no banheiro. Pelo menos eu saí da mesa com classe e elegância.

Eu estava trancada na cabine do banheiro chorando horrores e com muita raiva, joguei o caderno onde escrevia meus poemas na lixeira e em cima do caderno rasguei vários pedaços de papel higiênico até acabar com o rolo de papel da cabine e lotar a lixeira. Foi uma cena deprimente.

Passei um ano inteiro sem ler poemas, voltei a ler no início de 2018 mas nunca mais consegui escrever nem um versinho que seja. E olha que já tentei diversas vezes. Até hoje me sinto acuada e constrangida em sequer tentar escrever um poema, me parece uma escrita inalcançável, me sinto indigna, envergonhada, ridicularizada como se eles fossem reservados apenas aos seres humanos que sabem aos 18 anos o que é um poema “dístico”, ah, por favor… Não demorou muito para eu sentir vergonha de todos os poemas que eu já havia publicado no blogue, a humilhação que aquele ser humano me submeteu realmente me impactou negativamente e me fez acreditar que eles eram poemas horríveis, capazes de gerar asco, então, a primeira coisa que fiz depois de jogar meu caderno fora, foi ir para casa e deletar quase todos os meus poemas (salvo um ou dois), não queria que ninguém mais visse o que eu havia escrito. Hoje, os meus arquivos de publicações daquele ano no WordPress estão assim:

Capturar

“Desconhecido ou excluído” – frase repetida mais de 30 vezes, um embaixo do outro se referindo a todos os poemas que excluí do blogue.

Para mim, poemas nunca se prenderam às regras gramaticais e a licença poética sempre me pareceu ser muito mais do que apenas uma incorreção da linguagem permitida na poesia. Poesia é liberdade de expressão, o escritor se desprende da normatividade das regras gramaticais em busca de atingir seus objetivos de expressar o que sente. A poesia não é e nem deve ser engessada, dura, construída com cimento sob normas que poucos seres humanos obedecem. Se eu soubesse em 2016 o que sei hoje sobre poesia, com certeza não teria ficado em silêncio enquanto aquele ser humano debochava da minha ingenuidade. Mas não tem jeito, a praga foi jogada. Não consigo mais escrever poemas, sinto pavor em receber uma crítica. A categoria de “poemas” do blogue já não tem nenhuma poesia, apenas textos aleatórios.

– Rejane Leopoldino

 

Essa é apenas uma das formas da própria sexualidade virar um tabu para si mesma.

Quando você diz para a sua filha de 12 anos que ela é uma “vadia” ou uma “puta”, você a ensina a se reprimir sexualmente desde a infância e a negar qualquer possibilidade de um desenvolvimento sexual saudável. Saiba que no futuro ela sentirá falta de conversar sobre sua sexualidade com alguém, e conversará com amigas tão desinformadas quanto ela quando na verdade, deveria estar conversando com você.

Daí ela vai se informar mal, e cairá na ideia medíocre que o próprio orgasmo não é fundamental, e sim, objeto de constrangimento.

– Rejane Leopoldino

Para pais ou figuras paternas

Foi quando me movi que percebi que eu havia absorvido e me tornado 70% do que você me criou para ser. Eu ocultei – sem me dar conta – minha própria porcentagem e me tornei a versão feminina da sua imagem. Não me leve a mal, eu não odeio isso, você como figura paterna me criou com as referências que acreditava serem as melhores para mim. E acredite, eu absorvi bem todas as melhores referências que me deu. Mas há uma pequena parte dos (seus) 70% em mim que eu gostaria de mudar. E a cada dia o faço. Os 30% meus que você não tocou, hoje são 40%, e a cada dia volto a ser mais minha. Mas sempre haverá seu reflexo em mim, com todos os melhores ensinamentos que você fez questão de compartilhar.

– Rejane Leopoldino


Como absorvemos as referências de nossos pais ( figuras paternas ).

Desafio Literário | O CHEIRO

Desafio Literário | O CHEIRO

O mesmo perfume, apenas mais mórbido do que antes.

De fato, devo estar a ficar muito velha e minha mente já começou a me pregar peças pela casa, pois é curioso como eu acordo e ainda sinto o aroma do café que você costumava coar todas as manhãs, mesmo que o bule já não esteja mais a ferver. É curioso como eu entro no nosso banheiro e sinto o perfume do seu banho quente, é curioso como eu ainda não tive coragem o suficiente para lavar sua roupa suja, porque sou fraca demais para aceitar tirar de mim esta fragrância que você me deixou.

É que a dor de saber que você trocou-me por um flerte com a terra necrotizante consome minha alma assim como os vermes que devem estar a te devorar neste momento.

Então eu continuo a usar sua colônia e a deitar-me vestindo suas roupas, para sentir o perfume daquele que dividiu uma vida inteira ao meu lado, e logo agora, em meio a esta velhice deplorável, resolveu partir, deixando-me viva e para trás.

Mas eu hei de sentir o perfume de sua pele novamente, ainda que já necrosada. Talvez eu a sinta ainda esta noite, assim que eu fechar meus olhos, inalando pela última vez o cheiro do seu casaco e expirar em direção à sua eternidade, o perfume mórbido que me deixaste.

-Rejane Leopoldino

via Desafio Literário | O CHEIRO

Muita gratidão por ter participado desse maravilhoso desafio literário promovido pela Maria Vitoria do Blogue Estranhamente ❤