Gerações Y,Z e ALPHA

Enquanto estava afastada do blogue, eu assisti a mim e meus amigos que estão na faixa dos seus 20 e tantos anos desenvolver conversas na mesa de um bar em São Paulo sobre assuntos como:

“Vocês sabiam que o mercado X oferece cupons de desconto em alguns produtos através de um aplicativo?” 
“Já que vamos viajar, então é melhor fazermos um seguro viagem, posso fazer uma agora pelo celular”.
“O site Y está vendendo um jogo de 10 panelas anti aderentes da Tramontina por 169,00 reais!”
“Então, vocês sabiam que a Nubank está rendendo mais que a poupança?” – 100% do CDI.

Onde eu quero chegar com isso? Bom…

Nós da geração “Z” (pessoas nascidas entre meados dos anos 1990 até o início dos anos 2010) levamos a fama de “antenados” por sermos aqueles que nasceram entre o BOOM de equipamentos tecnológicos e o famoso www, muito familiarizados com a internet, aparelhos digitais, telefones móveis, internet, etc. Não é mentira, compreendemos muito  mais o mundo digital do que a realidade que está na nossa frente. Acredito que uma prova disso, é que todos os assuntos que relatei que tivemos na mesa de um bar foram seguidas por pesquisas na internet. Estamos falando de um aplicativo online que nos dá desconto, um seguro de viagem fechado na mesma hora, totalmente online, um site vendendo panelas baratas e um banco 100% digital que rende mais que a poupança. O mundo de papel e caneta que por enquanto ainda estamos habituados a conhecer está escoando pelo funil da tecnologia digital, esse funil vai aos poucos e a conta gotas nos dando soluções digitais para problemas de papel. Estamos nos tornando adultos que tem diante de si uma ampla gama de ferramentas tecnológicas a nossa mercê, já não usamos mais a internet apenas para diversão, nós resolvemos problemas, fazemos investimentos, realizamos compras, elaboramos aplicativos, dentre diversas outras atividades da vida adulta sem sairmos de casa e estamos -embora muito não estejam- tentando fazer o melhor uso disso de uma forma responsável.

Esse filtro facilitador que o mundo digital nos dá sob o mundo real deve-se ser utilizado com cautela, pois os filhos da geração Z provavelmente viverão na realidade virtual, uma realidade virtual criada pela geração Z e Y, e esses filhos terão dificuldade de discernir o que é ou não a realidade.

Ainda não se fala muito em educar desde tenra idade as crianças da geração “ALPHA” (nascidos depois de 2010) sobre os usos da tecnologia em excesso. Eu particularmente, considero uma urgência, pois as próximas tecnologias serão criadas por uma geração que já está viciada na era digital (geração Z), e não tem como um viciado educar ao outro.

– Rejane Leopoldino, Geração Z, safra de fevereiro de 1998.

 

 

Far away for a long time

Entrei na minha casa do WordPress e me deparei com algumas teias de aranha deixadas por mim.
Móveis empoeirados, cortinas encardidas, insetos zanzando pela casa, a escada rangendo, o vidro da janela da cozinha quebrado, a pia do banheiro gotejando e honestamente não vou me dar ao trabalho de realizar reparos no momento, deixarei a casa em desordem por mais um tempo, passei aqui apenas para cumprimentar meus vizinhos de blogue, sinalizar que estou viva e que a propriedade ainda possui dona, por a conversa em dia com os antigos, dizer “Olá” e “Até breve” para os novos. Trancarei a porta novamente, não está na hora de abrir cortina alguma.

-Vim aqui só para regar as plantas e já estou de partida.

  • Rejane Leopoldino

Dia das Mulheres

Já que é só no dia das mulheres que conseguimos visibilidade, então vamos usar essa visibilidade para falar do que realmente importa:

Para os caras que gostam de apalpar na rua, transporte público, festas e carnaval, acho que eles não estão sabendo: Importunação Sexual

Importunação sexual Art. 215-A. Praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro: Pena – reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o ato não constitui crime mais grave.”

  • Não é simplesmente “terminar um relacionamento abusivo” – os agressores perseguem e ameaçam as vítimas até mesmo depois do término do relacionamento para intimidá-las a não denunciá-los para a família,  polícia ou Delegacia da Mulher
  • Violência doméstica é um padrão de comportamento, não acaba de um dia para o outro.
  • Dizer que tal mulher faz algo como se fosse um homem NÃO É ELOGIO.
  • Chamar uma mulher desconhecida de gostosa na rua é NOJENTO e NÃO É um símbolo de masculinidade.
  • Bater, humilhar, ameaçar, chantagear e cuspir bosta para a sua esposa o ano todo mas dar flores dia 8 de março NÃO te faz um homem/marido melhor.
  • Se ouvir a sua vizinha gritando por ajuda porquê está apanhando do marido, FAÇA ALGO, não venha com essa de que “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher” É pra meter a colher sim! Mete a polícia, mete a vizinhança, mete tudo!!! Não seja conivente com a violência doméstica!
  • Nunca diga que determinada cor, tarefa, atividade, esporte, emprego, etc é coisa de mulher, nada disso tem gênero!
  • Quer ser um bom homem? Apoie as mulheres da sua vida, se presenciar alguma importunação sexual ou assédio, denuncie! Proteja, tire satisfações, não deixem os “machos escrotos” na impunidade. A participação masculina é fundamental na luta contra a desigualdade de gênero.

INFORMEM-SE -> Panorama da violência contra as mulheres no Brasil

Quadro de atendimento à vítima de violência doméstica em São Paulo:

Atendimento à Vítima de Violência Doméstica – Delegacia de Defesa da Mulher – Decap

Atendimento de polícia judiciária e atendimento psicossocial à vítima de violência doméstica, violência sexual, crianças e adolescentes vítimas. Todas as vítimas de violência sexual são encaminhadas ao Hospital Pérola Byington a fim de serem devidamente medicadas e receberem atendimento psicossocial (Programa Bem-Me-Quer).

1ª Delegacia de Defesa da Mulher – Centro
Rua Dr. Bittencourt Rodrigues, 200 – térreo – CEP 01017-010 – São Paulo
Telefone: (11) 3241-3328

2ª Delegacia de Defesa da Mulher – Sul
Avenida Onze de julho, 89 – térreo – CEP 04041-050 – São Paulo
Telefone: (11) 5084-2579

3ª Delegacia de Defesa da Mulher – Oeste
Avenida Corifeu de Azevedo Marques, 4300 – 2º andar – CEP 05339-002 – São Paulo
Telefone: (11) 3768-4664

4ª Delegacia de Defesa da Mulher – Norte
Avenida Itaberaba, 731 – 1º andar – CEP 02734-000 – São Paulo
Telefone: (11) 3992-6875 , (11) 3976-2908

5ª Delegacia de Defesa da Mulher – Leste
Rua Dr. Corinto Baldoíno Costa, 400 – 2º andar –  CEP 03069-070 – São Paulo
Telefone: (11) 2293-3816

6ª Delegacia de Defesa da Mulher – Santo Amaro
Rua Sargento Manoel Barbosa da Silva, nº 115 – 2º andar – CEP 04675-050 – São Paulo
Telefone: (11) 5521-6068 e 5686-8567

7ª Delegacia de Defesa da Mulher – São Miguel Paulista
Rua Sabbado D’Angelo, 46 – Itaquera – térreo – CEP 08210-790 – São Paulo
Telefone: (11) 2071-3488

8ª Delegacia de Defesa da Mulher – São Mateus
Avenida Osvaldo do Valle Cordeiro, 190 – 2º andar – CEP 03584-000 – São Paulo
Telefone: (11) 2742-1701

9ª Delegacia de Defesa da Mulher – Pirituba
Avenida Menotti Laudisio, 286 – térreo – CEP 02945-000 – São Paulo
Telefone: (11) 3974-8890
Fonte: Cidadão São Paulo – Gov

Me deixem dicas de livros de Mulheres que escreveram sobre sua experiência e superação na luta contra a desigualdade e violência doméstica. ❤

 

A Google Assistant é uma ferramenta deveras poderosa.

Através do reconhecimento de voz, chegará o dia em que não precisaremos usar nossos dedos para mais nada, a Google Assistant realizará tudo através do som das nossas vozes.
– Eu mesma.

Já estou familiarizada com a possibilidade de pedir para a Google Assistant abrir um aplicativo, tocar músicas no Spotify ou no Youtube, mandar mensagem para os meus amigos, ligar para algumas pessoas, agendar um lembrete, adicionar uma tarefa, localizar X documento ou então definir meu alarme para às 6:00 horas. Mas hoje descobri que posso solicitar e configurar uma “rotina”.

Veja que eu acordo pela manhã, digo “Bom dia” em voz alta, a Google Assistant começa a realizar uma série de rotinas configuradas por mim mesma para me “ajudar” nas atividades da manhã. Primeiro, ela desativa o modo silencioso, ajusta o volume da minha mídia para 50%, me fala a previsão do tempo, informa os meus lembretes, e em seguida, toca a minha playlist Lo-Fi favorita. Sozinha, sem eu precisar mover um dedo. E no final ainda me deseja um “ótimo dia”.

Se eu digo “Estou em casa” ela fala as tarefas que tenho em casa, ajusta a mídia para o volume máximo e começa a tocar outra playlist favorita.

Se eu digo “Boa noite” ela ativa o modo silencioso e me pergunta para que horas deve configurar o meu alarme.

Essa são só algumas das ações, há várias, todas configuráveis para se adaptar com as necessidades do portador do aparelho móvel, como por exemplo: dizer as principais notícias do dia, definir melhor trajeto para X local, falar sobre a minha agenda, etc. Tenho a impressão de que ela é uma ferramente muito corporativa.

De toda forma, ainda temo o advento dessa tecnologia, pois não deixa de ser um filtro comportamental e as minhas neuroses de poder estar sendo observada e analisada por um bot muito inteligente ainda me intriga. Pois se há alguma espionagem (e com certeza há), o algorítimo já deve ter traçado e juntado grandes informações sobre mim, o algorítimo já sabe, por exemplo, os meus gostos musicais, os sites que entro com mais frequência, os telefones de quem mando mensagem/ligo, a hora em que acordo além de saber detalhes da minha vida pessoal que são inseridos na minha lista de tarefas e não o bastante a Google Assistant sabe meu endereço residencial e o endereço do meu trabalho, tanto que quando entro no Google Maps, independente de onde eu esteja, ele automaticamente já sugere que eu trace um caminho para a minha casa.

No dia a dia pode ser prático ter todas essas facilidades, mas se formos analisar o quanto estamos sendo observados… cá entre nós, é assustador!

Não damos nosso endereço, número de telefone, dados pessoais, contatos ou informações privadas para pessoas desconhecidas, mas damos para uma máquina, um bot, controlado por pessoas desconhecidas.
-Rejane Leopoldino (eu mesma)

Edit 1 – acabo de descobrir que existem ferramentas da Google que permitem diminuir a luz ambiente, aumentar a temperatura do climatizador da sua casa, entre outras várias funções através do reconhecimento de voz e estão disponíveis para compra no site da Google Assistant  sob o lema “Seguro, seguro e sob seu controle”. 

 

Essa é apenas uma das formas da própria sexualidade virar um tabu para si mesma.

Quando você diz para a sua filha de 12 anos que ela é uma “vadia” ou uma “puta”, você a ensina a se reprimir sexualmente desde a infância e a negar qualquer possibilidade de um desenvolvimento sexual saudável. Saiba que no futuro ela sentirá falta de conversar sobre sua sexualidade com alguém, e conversará com amigas tão desinformadas quanto ela quando na verdade, deveria estar conversando com você.

Daí ela vai se informar mal, e cairá na ideia medíocre que o próprio orgasmo não é fundamental, e sim, objeto de constrangimento.

– Rejane Leopoldino

Inquietação literária

Se as livrarias soubessem da agonia que me toma neste momento, teriam todos os seus livros à mão, prontos para a venda.

– Produto indisponível
– Produto indisponível
– Produto indisponível
– Produto indisponível
– Produto indisponível

Desde agosto do ano passado a quantidade de livros que desapareceram das prateleiras só aumentou. Não deveríamos precisar encomendar Thomas Mann, Gabriel Garcia Márquez, James Joyce, Willian Faulkner, etc. Aliás, quero ler O som e a fúria de William Faulkner, mas adivinhem? – Produto indisponível.

Apocalipse das livrarias. A Saraiva de 3 andares do lado de casa não tem à pronta entrega NENHUM dos autores acima, não é necessário falar da Livraria Cultura. Estamos a citar a crise das duas maiores livrarias do Brasil. Não vou entrar nos pormenores jornalísticos aqui, vocês já devem saber bem do que estou falando, afinal, não é de hoje.

Não que eu me importe em esperar de 3 à 5 dias úteis para ler tal livro… mentira, me importo horrores, fico ansiosa e começo a ler até bula de remédio.

O Sebo do Messias, maior Sebo do Brasil (aqui me gabo ao dizer que fica à 400 metros da minha residência) está melhor do que a Saraiva. Ele tem à pronta entrega Thomas Mann, tem Gabriel Garcia Márquez, James Joyce e Willian Faulkner, tudo bem, ele pode não ter a exata obra que eu procuro de um ou outro destes autores, mas ei, ao menos o Sr. Messias tem. Hoje fui até o seu sebo, ele me atendeu em meio à correria, já virei um rosto conhecido por lá, perguntou se achei o que procurava, eu disse que sim, seu sebo sempre está lotado. Depois passei na Saraiva (aquela de 3 andares) só por curiosidade, ora, se contei 6 seres humanos eram muitos.

Nota importante: não sou ingênua, sei que se o sebo está lotado, muito provavelmente é porque outros livros tais como Os Mortos de James Joyce está R$15,00 no Sr. Messias à pronta entrega, enquanto na Saraiva logo à frente, do outro lado da calçada está R$ 54,00 com 3 à 5 dias úteis de entrega.

Segunda nota importante: No fundo me sinto mal em comprar no Sebo. Sei que através dele o meu dinheiro não chega a escritor(a)/editora algum(a), nem vivo(a), nem morto(a). É um grande dilema, fiquei até triste em admitir.

– Rejane Leopoldino

 

 

 

É que discorrer sobre um tema como esse só me é possível em dias específicos.

Deve haver algum campo da psicologia que explique o porque das relações paternas ou maternas terem tanta ligação com a vida afetiva/sexual dos seus filhos quando (pré) adolescentes, jovens, por assim dizer. Experiências traumáticas sofridas na infância tais como o abuso, violência, agressão ou abandono por parte de um dos (ou dos dois) pais geram consequências como a frustração sexual, atração por estereótipos tóxicos de seres humanos, submissão, repressão sexual, dificuldade em desenvolver relacionamentos duradouros e a constante busca pelo prazer individual (masturbação excessiva).

Pois, se Clarice hoje fantasia com um estereótipo de homem que possui uma sutil embriaguez, total desprezo pela vida e que vive com um pé na cova e uma corda ao pescoço, pode-se dizer que é porque na infância presenciou na sua própria casa uma ou duas tentativas de suicídio associadas à uma grave depressão e a ingestão de grandes doses de álcool, além de uma frequente violência doméstica.

Mas isso é dar uma justificativa razoável ao trauma. Não abrange totalmente todos os aspectos perturbadores que o circula. Há uma infinidade de motivos que podem ter levado Clarice à se sentir atraída por homens que são sua própria ruína e destruição.

– Rejane Leopoldino