Regendo minhas próprias estações.

Meu amor,

para mim é muito mais fácil entrar em qualquer imensidão que desconheço. Algumas eu não sei onde vão dar, nem se tem fim, mas anseio por elas como um campo de girassol voltado para o céu. E se alguma imensidão for profunda demais, ah… Eu mergulho com uma pedra amarrada em cada pé, e, confesso que leva um tempo pra sair de lá depois, mas olhe, nunca me arrependi.

É que o fascínio pelo que ainda não conheço é grande demais e talvez seja por isso que paro cada vez menos em casa e busco cada vez mais algo que sustente o meu olhar.
Eu sei que você talvez não goste desse meu jeito e espero que compreenda, pois juro, não faço por mal! Apenas acredito que vivemos de experiências e referências e devemos estar sempre agregando algo às nossas vidas. Você pode fazer parte da minha se quiser (ou voltar a fazer), mas não tente mudar isso em mim. Não tem jeito, viu por si mesmo.

Eu ainda sou aquela menina que você dizia ter “o coração bom até demais” mas hoje tenho malícia para enxergar com clareza. Então não se preocupe, aprendi a me cuidar, embora você não leve fé nisso.

Eu lembro como você esperava me ver diferente na primavera e ficava decepcionado.

– O que eu posso fazer se floresço no outono?

 

– Rejane Leopoldino

Então, compreendi sua ausência. 

[…] Ela é como chuva de verão, logo mais está indo embora. E eu nunca compreendi como ela podia ser assim, desapegada.
Com ritmo de mulher louca e desenfreada, nunca ficava. Até que a ouvi dizer:
” Meu amor, você tem um ninho pra onde voltar, pode ir, mas eu sou só eu, e minha casa já virou Hotel.”

– Rejane Leopoldino