“Mulher é multitarefas”

Sim, de fato somos, não tô aqui para negar a nossa habilidade, mas isso vem com um custo alto e pouco glamouroso. Vamos falar sobre os assuntos que caem com mais força nos ombros das mulheres do que nos dos homens?

#1– Admito que sinto uma pontinha de satisfação quando me dizem que sou multitarefas, que por isso dou conta de tudo, mas eu estava refletindo esses dias sobre como essas frases são uma armadilha para nós mulheres. Elas parecem um elogio mas estão carregadas com uma sobrecarga de trabalho enorme.

#2– Já falei sobre isso por aqui: As cobranças que envolvem o dia a dia da mulher moderna são cansativas! A gente tem uma cobrança tão grande girando em torno da nossa aparência, maternidade e não para por aí!
Por ser multitarefas as pessoas esperam que você consiga dar conta da sua carreira, da estética, dos filhos e do casamento se houver, do cara mexendo com você na rua de novo, das tarefas do lar que talvez sejam mal distribuídas e caiam todas em cima de você e ainda estar super bem e com bom humor para desenvolver a sua vida social além de ter tempo para si mesma.
No fim do dia 24 horas são pouco, isso vale principalmente para as mamães que se tornam as principais responsáveis pelo trabalho de cuidado dentro do lar, e esse trabalho invisível e não remunerado muitas vezes as afasta do mercado de trabalho, dificultando ao seu retorno. Falo mais sobre a Participação feminina no mercado de trabalho após a maternidade neste post.

#3– Arrumar, limpar a casa, cozinhar, é um trabalho cansativo, se você mora com um(a) companheiro(a) que acaba deixando tudo nas suas mãos mesmo você tendo uma rotina atribuladíssima no trabalho e no fim do dia você se encontra exausta, está na hora de (re)distribuir as responsabilidades do lar.

Falei falei e falei, tudo isso para ilustrar mais uma vez que às vezes a gente tá cansada, sabe? Cansada de sair na rua com medo e preocupada de um cara mexer com a gente, cansada de piadas sexistas no local de trabalho, cansada de tarefas mal distribuídas em casa, Ufa!

-Rejane Leopoldino

Já lucraram muito com a nossa insegurança

A frase é quase clichê, mas não nega o óbvio: os estereótipos de beleza são usados contra as mulheres que não se encaixam nessa caixinha quadrada.
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Existe um hábito de nomear as mulheres como uma com beleza, mas sem inteligência, ou com inteligência, mas sem beleza, nos faz acreditar que é difícil possuir os dois. Ou a mente ou o corpo. E a busca por ambos nos tortura. Mas já possuímos ambos, não tem o que procurar. (por vezes nós mulheres fazemos isso entre nós mesmas)
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Já sentiram como se pudessem ser definidas como um fracasso ou um sucesso de acordo com a sua aparência? Como se o sucesso pertencesse ao estereótipo de mulher magra, branca, com cabelo liso e skin care em dia?
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Esse estereótipo já perturbou e ainda perturba o psicológico de muitas mulheres (pessoas no geral, mas a indústria da beleza consegue ser ainda mais cruel com as mulheres) que não conseguem se sentir bonitas com o corpo que possuem, às vezes por um detalhe tão mínimo que passa batido.

Relato pessoal: Sou muito magra, mas quantas vezes já quis atingir o corpo fotoshopado de modelos do Instagram e ficava fitando uma pequena gordurinha no espelho por minutos, imaginando todas as dietas e intervenções cirurgicas loucas que poderia fazer pra zerar aquela barriguinha. Plmdds
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Não dá para viver às custas de um ideal que não é saudável pisicológicamente.
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📖Post inspirado no Livro “O mito da beleza” de Naomi Wolf.

Te convido a conferir esse conteúdo no instagram 🙂

-Rejane Leopoldino

Por que a “Mulher Guerreira” está cansada?

Você também se sente cansada? 😪

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Todas as pessoas levam uma vida agitada, mas parece que nós mulheres temos ainda mais trabalho no nosso dia a dia em comparação aos nossos colegas homens. Por que? Por que as tarefas do lar costumam recair com mais peso nos ombros das mulheres? Todos concordamos que depois de um longo dia de trabalho, voltar para casa e precisar limpar o chão, cozinhar, ser responsável pelo trabalho de cuidado, é cansativo, então por que não paramos um minuto para refletir em como algumas mulheres estão cansadas de serem as únicas responsáveis por esse trabalho dentro do lar? Já reparou que quando não somos nós que realizamos essas tarefas, somos nós que as delegamos aos outros?
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#1 – Existe uma socialização histórica por trás das tarefas do lar serem associadas ao sexo feminino, era um costume em tempos mais antigos que as mulheres se dedicassem ao lar, filhos e marido. Esse comportamento recluso foi replicado por gerações, se desconstruindo de forma lenta. (Eu falo mais sobre isso neste post aqui no blog) Acontece que essa socialização já não se aplica hoje, em pleno século XXI as mulheres trabalham, escolhem se vão ou não se casar, possuem acesso à educação e a liberdade sexual e também já não são mais as únicas responsáveis pelo trabalho de cuidado do lar, ainda sim, são as principais responsáveis por esse trabalho.
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#2– Arrumar, limpar a casa, cozinhar, é um trabalho cansativo, se você mora com um companheiro que acaba deixando tudo nas suas mãos mesmo você tendo uma rotina atribuladíssima no trabalho e no fim do dia você se encontra exausta, está na hora de (re)distribuir as responsabilidades das tarefas do lar ao invés de fazer tudo sozinha.
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#3 Uma vez o meu namorado me disse que não sabia como cortar o alho e eu fiquei chocada, pois ele realmente não sabia e os pedaços ficaram enormes. Isso (e diversas outras coisas como a falta de preocupação com a limpeza da casa) me fez perceber que ele não havia sido preparado para assumir responsabilidades básicas do lar da mesma maneira como eu fui ensinada.
📌(Exemplo bobo, mas real. Hoje ele sabe cortar)

Diz pra mim nos comentários: como é a divisão de tarefas na sua casa? A maioria das tarefas do lar cai em cima de você?
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*Post com reflexões sobre relacionamentos heterossexuais*
Te convido a conferir esse conteúdo no instagram 🙂

– Rejane Leopoldino

Eu voltei e trouxe novidades… Muitas!

Me afastei do blog em março de 2020 para me dedicar ao estudo sobre as questões de gênero, violência contra a mulher, socialização entre os sexos, movimentos sociais, feminismo… nossa, a fila de quantos assuntos estudei é imensa. Li tantos livros que se você me pedir uma indicação sobre qualquer assunto é capaz de eu ter um livro na ponta da língua.

Achei importante eu ter dado esse passo para trás antes de voltar a caminhar para frente. Hoje, depois de tanto estudo eu me sinto mais confiante em escrever sobre as questões em volta do universo feminino, e eu não estou falando de moda e beleza, estou falando do assuntos atuais: como o cansaço da mulher moderna, carreira, participação feminina em diversos espaços da sociedade, movimentos sociais, a herança do passado, etc.

Nesse meio tempo em que estive fora MUITA coisa mudou e eu me dediquei à alguns projetinhos que moravam na minha gaveta tinham tempo (eu tô feliz demais de colocar eles no mundo!)

Olha só tudo o que tem de novo:
Página no Instagram (Clica no “Instagram” para conferir)
Um lugar dedicado a falar sobre empoderamento feminino, literatura, e questões de gênero através de posts com ilustrações para ajudar a visualizar algumas discussões que muitas vezes são invisíveis aos olhos.

Uma prévia do que você vai encontrar por lá!

Canal no Telegram
Sempre quis ter/participar de um Podcast. Então criei um grupo no Telegram chamado *Female Happiness* (gosto desse nome hihi) para mandar Mini Podcasts em formato de áudios de no máximo 10 minutos para falar de um jeito mais descontraído sobre o universo da mulher moderna (que está longe de girar em torno de futilidades) e contar relatos e histórias de um jeitinho até engraçado. Lá eu tenho um grupo de discussão, sempre que eu mando uma mensagem aparece um campo para todo mundo deixar o seu comentário ou reflexões sobre o assunto.
Inclusive, deixo o convite para você se juntar ao grupo do telegram e participar dessa comunidade.

Mini Podcast no grupo do Telegram e o nosso canal de discussão.

Você acha que acabou? Não acabou.

Spotify! Fiz uma playlist legal inspirada no grupo do Telegram
Você pode seguir a playlist e me mandar recomendações de músicas para adicionar por lá.

Eu amo essa Playlist

O que você ainda pode esperar ver por aqui?
– O visual do blog vai mudar, logo logo.
– Um livro tá saindo do forno (digo apenas isso…)
– Mais textos por aqui, toda semana

Ah… como é bom estar de volta!
– Rejane Leopoldino


#2 O desenvolvimento da mulher na sociedade – Discurso físico e moral

[…] As mulheres que pareciam ser mais fracas por conta de suas funções, que exigiam menos força, foram vistas como inferiores aos homens.
– François Poullain de la Barre

Embora muito tenhamos herdado dos gregos e romanos na nossa cultura ocidental, não foram deles que principiou a fonte da misoginia. Ela de alguma forma já estava lá e apenas foi sendo replicada incessantemente em cada geração que construiu nossa civilização durante séculos.

Então, como de fato podemos supor que nos séculos que nos antecederam, a exclusão das mulheres em atividades não relacionadas à vida doméstica, tais como o exercício de vínculos empregatícios, liberdade financeira, direito de posse, exercício da voz, etc, contribuíram para deixá-las em situação de inferioridade em relação aos homens?

Para responder a essa pergunta me debruço em cima dos escritos deixados por François Poullain de la Barre, mais especificamente, sobre seu texto “Da igualdade entre os dois sexos, discurso físico e moral, onde vemos a importância de se desfazer dos preconceitos” escrito em 1679. Texto esse que nos traz um panorama histórico e elabora um cenário muito próximo à realidade da herança que herdamos e não deixamos de cultivar.


Se voltarmos no tempo, ao começo do mundo, nas primeiras civilizações, poderemos imaginar com facilidade que o relacionamento entre homens e mulheres era muito diferente do que a viria a se tornar anos depois. Homens e mulheres se dedicavam igualmente ao plantio e a caça, aquele que trazia mais fartura à família, claro, seria o mais honrado, e os homens sendo naturalmente mais robustos e mais fortes, possuíam lá alguma vantagem corporal sob as mulheres, uma vez que os incômodos temporários da gravidez as faziam precisar se ausentar das tarefas que exigiam delas maior força física, e quando os bebês nasciam, as mesmas precisavam se dedicar à amamentação e aos cuidados dos filhos. As mães então ficavam dependentes por um breve período dos seus maridos – se é que podemos presumir a existência de um laço matrimonial àquela época – os homens, então, com a ausência das mulheres, passaram a puxar apenas para si as tarefas do exterior.

As mulheres precisavam ficar reclusas em seus lares cuidando dos filhos e do interior. O homem -que era mais livre – saía para a caça e para as atividades exteriores, as mulheres cuidavam e educavam os filhos, realizando apenas tarefas mais simples, que não demandavam muito de sua força física, nem estimulavam o intelecto.

Os primeiros filhos e filhas cresceram, e passaram a não precisar tanto da mãe, a mulher então retoma aos poucos as suas atividades exteriores junto à comunidade, mas como em uma época tão remota não haviam métodos anticoncepcionais e para engravidar basta o sexo, é de se imaginar que as mulheres tinham muitos filhos, uns mal cresciam e outros já estavam a caminho, e quanto mais engravidavam, mais atreladas às tarefas domésticas ficavam. A organização doméstica, ainda que fosse crucial para manter a ordem e disciplina, não era tão nobre quando as demais atividades do exterior.

É fácil imaginar que os filhos seguiram os passos dos pais, da mesma forma que quando somos crianças aprendemos a reproduzir o que observamos. Os filhos homens seguiram os passos dos pais para fora do lar, em direção à liberdade. Já as filhas, reproduziram o comportamento recluso da mãe que se via obrigada a permanecer no lar para educar os filhos. As filhas não pensavam em sair, pois viam em seu pai e seus irmãos alguém que era forte para lidar com o mundo exterior por elas, e que seu lugar era em casa, pois em força física pouco podiam competir, visto que a delicadeza da gravidez poderia atingir-las a qualquer momento.

As comunidades se tornaram cada vez maiores e a civilização os atingiu. A contínua reprodução de comportamento recluso das mulheres que foi passada de geração em geração em detrimento de uma futura gravidez que podia ou não vir a existir, mas pela qual elas deviam estar preparadas, as impediram de aprender as tarefas do exterior, visto que pertenciam apenas aos homens, elas então, permaneceram na ignorância de seus lares, ignorando o mundo que havia fora das paredes.

O restante desta discussão continuarei no próximo capítulo dessa saga que busca compreender o passado do lento desenvolvimento do sexo feminino na sociedade.

– Rejane Leopoldino